Adopte um Idoso (para já em Lisboa)

Nem só as crianças precisam de apoio e do devido enquadramento familiar. Em muitas cidades e locais do país é evidente o drama da solidão, um drama psicológico mas também funcional, as tarefas mais simples passam a ser demandas heróicas; quem, por exemplo,  já teve alguma vez problemas de mobilidade percebe facilmente de que falamos. Ora ficámos a saber que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa abriu candidaturas a famílias de acolhimento com o objectivo de integrar, temporária ou permanentemente, pessoas idosas e pessoas adultas com deficiência.

Exige-se a garantia do respeito pela identidade, personalidade e privacidade da pessoas acolhida e inserção num ambiente sócio-familiar adequado às suas necessidades. Segundo se lê no Portal da Saúde, de onde obtivemos esta informação:

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Taxa de sobrecarga das despesas em habitação quase duplica em 4 anos

Os dados são do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento cuja vaga de 2009 (rendimentos de 2008) foi ontem divulgado pelo INE conforme aqui sublinhámos: entre 2005 e 2008 a taxa de sobrecarga das despesas em habitação passou de 4,3% da população em 2005 para 8,2% em 2008, tendo registado três incrementos consecutivos. Como se calcula e o que significa este indicador? O INE explica; a taxa de sobrecarga das despesas em habitação é a:

Proporção da população que vive em agregados familiares em que o rácio entre as despesas anuais com a habitação e o rendimento disponível (deduzidas as transferências sociais relativas à habitação) é superior a 40%.
As despesas com a habitação incluem as relacionadas com água, electricidade, gás ou outros combustíveis, condomínio, seguros, saneamento, pequenas reparações, bem como as rendas e os juros relativos ao crédito à habitação principal.

Ou seja, é um indicador que permite aproximar a proporção da população que estará a ter dificuldades muito significativas em fazer face aos seus compromissos com as despesas básicas associadas ao alojamento da sua família.

Pobreza após transferências diminuiu em 2008 em Portugal

Antes de transferências sociais, 41,5% dos portugueses estaria abaixo do limiar da pobreza. O INE acaba de divulgar os dados relativos a 2008 recolhidos no âmbito do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (EU-SILC) desenvolvido de forma harmonizada no espaço europeu. A informação detalha de pode ser encontrada aqui. Eis o destaque principal do INE:

“Segundo os resultados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (EU-SILC), realizado em 2009, incidindo sobre rendimentos de 2008, a população residente em situação de risco de pobreza era de 17,9%, reduzindo-se em 0,6 p.p. face ao ano anterior (18,5%). Quanto ao risco de pobreza para os idosos, registou-se uma redução, passando para 20,1% (22,3% no ano anterior).
De acordo com o mesmo inquérito, o rendimento dos 20% da população com maior rendimento era 6 vezes o rendimento dos 20% da população com menor rendimento.
São apresentados pela primeira vez indicadores de privação material, enquanto dados provisórios, em articulação com a divulgação do Eurostat.”

E se as taxas de juro e os combustíveis dispararem nos próximos anos? (act.II)

(actualiza com leitura recomendada no final) A notícia de hoje, “Taxas de juro podem subir mesmo com o desemprego em níveis elevados“, está ajustada à realidade norte americana mas não é um cenário totalmente improvável para Portugal e para União Europeia. Deve-nos fazer reflectir, tanto ao nível macroeconómico quanto ao nível familiar.

Neste momento, na Europa, vão-se acumulando indicadores de que os preços estão a retomar a tendência ascendente, registando a taxa de inflação valores claramente positivos em quase todos os países (Portugal ainda é uma excepção). As taxas de juro de referência do Banco Central Europeu permanecem estáveis há longos meses ainda que, devido, em particular, à inevitável degradação das contas públicas em vários países, após o período de salvamento do sistema financeiro (que se mantem muito fragilizado), o preço do dinheiro no mercado interbancário (Euribor) está a subir à medida que aumenta o grau de desconfiança e/ou a percepção do grau de endividamento de quem vai ao mercado pedir dinheiro.

Simultaneamente, não é ainda claro que impacto as medidas de auxílio aos países mais endividados e/ou sobre os quais recai uma maior grau de desconfiança dos mercados, poderão ser no estímulo ao aumento dos preços, temendo-se que não sejam inócuas. O desemprego continua a aumentar, estando Portugal entre os países mais afectados. Quanto ao Estado é inevitável a manutenção de um nível de fiscalidade mais elevado, não sendo ainda claro quão ambiciosa será a eternamente adiada reforma do sistema financeiro ao nível de regulação. Finalmente, o Euro prossegue quase sem interrupção, a sua desvalorização face à dólar e a algumas outras moedas internacionais.

Para Portugal, o cenário de baixas taxas de juro, deflação local e desvalorização do euro não é de todo um mau enquadramento. É até particularmente virtuoso para empresas que se dediquem a colocar os seus produtos e serviços no estrangeiro, fora da União Europeia. A nível do mercado interno europeu as vantagens diluem-se (o efeito de ganho de competitividade por via cambial desaparece) contudo, é seguramente preferível a um cenário de crescimento moderado ou rápido das taxas de juro particularmente SE este período estiver a ser utilizado para, na medida do possível, as empresas e famílias emendarem a mão, reduzindo ou reestruturando a sua dívida e preparando os seus orçamento e planos de futuro para uma nova realidade de juros mais elevados e de impostos mais elevados.

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Não há dignidade nenhuma na fome

29/05/2010 por RCB · Deixe um comentário
Arquivado em: Dinheiros, Pobreza / Riqueza, Sociedade 

Seria preferível que o Banco Alimentar não tivesse que existir, seria preferível que ninguém tivesse de recorrer à caridade de outrem, mas enquanto esse mundo mais próximo do ideal não surge, enquanto a demagogia servir de forma eficaz quem demoniza um mínimo bem como quem demoniza tudo o que não for o máximo, apoiar quem precisa é um imperativo que não pode ficar à espera de um mundo melhor.

Há quem tenha fome, quem não tenha roupa, quem tenha vergonha de olhar os filhos porque é momentaneamente incapaz de lhes providenciar o que estes merecem. Se pudermos ajudar com um pouco iniciativas como o Banco Alimentar contra Fome, devidamente estruturadas e conscientes, seguramente estaremos a ajudar a condição de vida de alguém ainda que não estejamos certos de estar a fazer tudo o que devemos fazer para aquela que deve ser a justa emancipação de cada um de nós.

Em suma, não há dignidade nenhuma quando um de nós não tem que comer, por isso ajudemos. Preocupemo-nos depois com o patamar seguinte.

O Banco Alimentar estará a efectuar a recolha de donativos em todo o país nos dias 29 e 30 de Maio, particularmente junto das grandes superfícies comerciais.

77% dos leitores afirma enfrentar algum grau de dificuldade em chegar ao fim do mês

Encerramos hoje com 692 respostas voluntárias, não estratificadas nem sujeitas a qualquer tipo de ensaio probabilístico o nosso “inquérito” em que pedíamos aos leitores para se classificarem quanto à pergunta “O dinheiro que ganha permite chegar ao fim do mês com:“. Eis as opções de respostas acompanhadas dos resultados finais em termos absolutos e percentuais:

O dinheiro que ganha permite chegar ao fim do mês com:
(11 a 23 de Maio) Nº de respostas %
Grande dificuldade 299 43,2
Dificuldade 232 33,5
Facilidade 118 17,1
Grande facilidade 43 6,2
     
Total 692 100,0

 

Ou seja, cerca de 77% dos leitores que responderam ao inquérito afirmaram enfrentar algum grau de dificuldade em compatibilizar a sua capacidade financeira com as necessidades mensais. Se subtraírmos as respostas extremas (grande facilidade menos grande dificuldade) obtermos um saldo (SRE) de -37,0%. Dentro de algum tempo repetiremos este mesmo questionário e faremos despretensiosamente a comparação com este números que aqui deixamos para memória futura.

Consignação 0,5 IRS 2010 – Números de contribuinte das instituições habilitadas

28/02/2010 por Mapari · 3 comentários
Arquivado em: Dinheiros, Pobreza / Riqueza 

NOVIDADE (11 de MARÇO de 2010): É a novidade do dia. Afinal, as finanças cederam na difusão da lista oficial das 108 instituições que podem receber os 0,5% de IRS que cada constribuinte lhes poderá atribuir aquando do preenchimento da declaração anual de IRS relativo a rendimentos de 2009 que se encojntra já em curso. Pode consultá-la nesta ligação (ENTIDADES COM PROCESSO DEFERIDO PARA O ANO FISCAL DE 2009 (dados de 2010-03-09).

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Tal como sucedeu no ano passado é público qual o número de entidades que estão dispostas e habilitadas a receber a consignação de IRS que cada agregado pode fazer quando preenche a sua declaração anual: são 108 conforme se lê no Jornal de Negócios  mas a lista não é divulgada por razões de “sigilo fiscal”.  É dificil acreditar que as instituições que desejam receber os 0,5% de IRS dos portugueses que o queiram consignar em seu favor não estejam todas interessadas em que o seu Número de Indentificação Fiscal seja publicado. Adiante.
No ano passado demo-nos ao trabalho de procurar identificar as então 77 instituições habilitadas (ver em “Consignação de IRS 2009 – Lista de NIPC / NIF / Números de contribuinte de Instituições interessadas em receber os 0,5%“). Muito provavelmente a grande maioria manterá tal condição pelo que a listagem se mantêm como boa referência, sem prejuizo de o leitor procurar aceder ao sítio na net ou contactar a  instituição para procurar confirmação.

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