Como será Portugal em 2060 segundo o PEC?
Arquivado em: Dinheiros, Economia Nacional, Números Estatística, Política Económica
O PEC – Programa de Estabilidade e Crescimento (disponível aqui) - versão 2010/2013, prevê, na sua última página, a evolução de alguns indicadores económicos e demográficos para o nosso país até ao ano 2060. Por exemplo, algures entre 2040 e 2050 prevê que se esgotem os Activos do fundo de reserva da segurança social.
Para o cenário traçado neste e em outras variáveis estebeleceu um conjunto de hipóteses de trabalho, nomeadamente, aponta para um crescimento do PIB que, no máximo, atinge os 2,7% em 2030, retomando a desaceleração nas décadas seguintes, à medida que a população acentua o seu envelhecimento. Como hipótese definiu, que a partir de 2050 mais de metade da população terá mais de 64 anos.
A taxa natural de desemprego perspectivada ronda os 6,2%. Hipóteses e cenários no mínimo assustadores. Não porque envelhecemos, mas porque o fazemos a um ritmo que me parece terá inevitavelmente consequências danosas de dimensão dificil de prever.
Portugal à beira da recessão técnica – outra vez
Arquivado em: Comércio Internacio., Contas Nacionais, Economia Nacional, Números Estatística
Afinal, fruto das sempre inevitáveis revisões e de informação de base adicional (neste caso relativa a dados do comércio externo e respectivos deflatores) a estimativa rápida que o INE havia feito para o PIB nacional relativo ao 4º trimestre de 2009 (“Portugal volta a divergir: PIB caiu 2,7% em 2009“) foi recalculada tendo-se fixado um pouco abaixo de zero: o PIB no 4º trimestre foi inferior, em volume, ao registado no trimestre anterior em 0,2%. Para quem gosta muito de parangonas pode dizer que ficámos à beira da recessão técnica, pois bastará uma variação em cadeia negativa no próximo trimestre para cumprirmos com os requisitos.
A variação homóloga foi ainda pior, -1,0%, tendo sido contudo a menos intensa ocorrida ao longo dos 4 trimestres de 2009.
Fruto de termos tido um deflator negativo para o PIB, este ano aconteceu a singularidade de a queda do PIB entre 2008 e 2009 ter sido menor em termos nominais (1,7%) do que em termos reais (2,7%). Quanto é o PIB e preços correntes? 163,6 mil milhões de euros. Relatório completo do INE disponível aqui.
Volkswagen Sharan made in Portugal
É uma das notícias da semana: a Autoeuropa garantiu que o novo modelo do Volkswagen Sharan será produzido na fábrica localizada em Palmela. Na nossa pequena economia aberta, a produção de um utensílio complexo com uma razoável percentagem de incorporação de tecnologia e trabalho nacional, merece um destaque positivo. Uma belíssima notícia também para uma região que enfrenta graves problemas de desemprego. Segundo noticia a imprensa, a Volkswagen fará a apresentação internacional do modelo durante a próxima semana.
Portugal volta a divergir: PIB caiu 2,7% em 2009
Arquivado em: Contas Nacionais, Economia Internacio., Economia Nacional, Números Estatística
O INE publicou hoje a primeira estimativa para o 4º trimestre de 2009, avançando com uma taxa de variação anual de -2,7%. O crescimento homólogo no trimestre terá sido de -0,8% tendo o PIB estaganado face ao terceiro trimestre de 20o9 – resta saber se o zero é positivo ou negativo
Para a desaceleração da queda em termos homólogos e ainda que seja cedo para mais detalhes, o INE avança com o comportamento mais positivo da Procura Externa Líquida (estamos a deixar de importar a um ritmo muito superior face ao ritmo a que se estão a contrair as nossas exportações) e com uma retração mais moderada da Procura Interna.
A nível europeu (Zona Euro e União Europeia) temos o PIB a crescer 0,1% face ao trimestre imediatamente anterior (o que indica que a economia portuguesa reiniciou muito provavelmente um processo de divergência) e decresceu 2,1% na Zona Euro e 2,3% na globalidade da União Europeia em termos homólogos.
Salário Mínimo 2010 – valor definitivo
Arquivado em: Dinheiros, Economia Nacional, Empresas, Segurança Social
Tal como perspectivado em meados de Outubro (“Salário Mínimo para 2010 – a dúvida persistirá por mais alguns meses“) apenas agora conhecemos o valor definitivo para o Salário Mínimo a vigorar em 2010. Sem surpresa, o Decreto Lei nº 5/2010 estabeleceu assim em 475€ a Retribuição Mínima Mensal Garantida (RMMG), vulgo, salário mínimo.
Se, se mantiver o princípio de acordo estabelecido em sede de concertação social em 2007, a valor de 2011 deverá ser de pelo menos 500€.
Previsão da Taxa de Inflação para 2010
Arquivado em: Dinheiros, Economia Nacional, Números Estatística
Com o conhecimento dos dados definitivos da inflação de 2009 (os preços desceram 0,8% em 2009 conforme informou hoje o INE), as previsões para o valor da taxa de inflação em Portugal em 2010 ganham um pouco mais de precisão ainda que se mantenha um exercício difícil.
O Banco de Portugal que divulgou recentemente o seu Boletim Económico de Inverno avançou com uma revisão para este valor prevendo agora que os preços subam ligeiramente em 2010, mais concretamente, prevê uma taxa de inflação de 0,7% (1,6% em 2011).
Em Novembro de 2009, a Comissão Europeia, havia previsto uma subida de 1,3% para o Índice Harmonizado de Preços nos Consumidores, um indicador marginalmente diferente da comum taxa de inflação (ver “Previsões Económicas da Comissão Europeia 2009 a 2011“). Qual o nosso palpite? Vale o que vale, mas apontaria para um valor entre os dois, sublinhando que, em bom rigor, este é um exercício de elevado risco.
P.S.: Já agora tem curiosidade em conhecer a evolução da Taxa de Inflação em Portugal desde 1977 até hoje? Então passe por aqui: “Taxa de Inflação em Portugal: 1977 – 2009“.
Níveis de confiança em queda em Portugal
O INE acaba de divulgar os resultados dos últimos inquéritos de conjuntura às empresas e aos consumidores referentes ao mês de Dezembro. Depois de alguns meses de recuperação dos níveis de confiança parece confirmar-se agora o retomar de uma evolução negativa dos níveis de confiança. Esse movimento é particularmente intenso entre os consumidores.
Poderá consultaro relatório completo do INE nesta ligação.
Indicadores Sociais: Actualização de dados sobre a Pobreza
Arquivado em: Dinheiros, Economia Nacional, Pobreza / Riqueza, Política Económica, Segurança Social
O INE acaba de divulgar o relatório anual com os principais Indicadores Sociais do país (dados de referência relativos a 2008).
Discretamente, no interior da publicação podem-se encontrar alguns indicadores de síntese sobre a pobreza em Portugal ao longo de 2008. Da comparação com os anos anteriores verifica-se que o número aumentou. Por exemplo, a taxa de risco de pobreza antes de transferências sociais subiu em 2008 retomando o valor registado em 2005 (41% da população). A mesma taxa após se considerarem transferências relativas a pensões também aumentou de 24% em 2007 para 25% em 2008. Apenas na situação em que se consideram todas as transferência sociais se obtem uma estabilização do número de pobres em torno dos 18%.
Ass transferências socias são cada vez mais importantes para amenizar a situação de partida contribuindo provavelmente também para a redução significativa dos índicadores de desigualdade que se vem registando de forma continuado pelo menos desde 2005 (Coeficiente de Gini; Desigualdade na distribuição de rendimentos (Rácio S80/S20) e Desigualdade na distribuição de rendimentos (Rácio S90/S10)).
Fica o destaque sobre a pobreza mas há pano para mangas na publicação de 207 páginas hoje publicada.
Nota: Este é o meu primeiro texto no Economia & Finanças. Conto não os desiludir procurando manter os níveis de rigor e de relevância que têm pautado os artigos que tenho lido por aqui. Critiquem à vontade
Ao vosso dispor,
Mapari.
Salários dos funcionários públicos serão reduzidos em 20%?
Arquivado em: Dinheiros, Economia Nacional, Política Económica
A proposta surgiu na Irlanda, um dos países mais afectados pela actual crise económica e financeira, como se pode ler nesta peça do Jornal de Negócios: “Irlanda corta salários dos funcionários públicos para reduzir o défice” – os salários dos funcionários públicos serão cortados em cerca de 15% a 20%. O elevado défice público é uma das principais motivações.
E nós por cá? Temos elevado défice público? Sim. Temos melhores condições do que a Irlanda para voltar à normalidade sem cortar despesa e/ou aumentar impostos?
Nós por cá vamos pondo as barbas de molho e a poupança no banco, que isto de receber aumentos reais (sem promoções e progressões) de 4% num ano, não deve ser cenário que abunde na próxima década (tal como não foi na anterior).
Onde cortar na despesas pública se se descobrir que o fim dos auxílios temporários em momento de crise e a recuperação das receitas fiscais com o abrandar dos problemas, não será suficiente para tapar o buraco? Um político previdente e responsável, seja de que quadrante for, deveria estar a pensar seriamente neste cenário, é que há quem diga que é (será) inevitável. Mais certo que o TGV.
INE revê em baixa estimativa sobre o PIB no 3º Trimestre
Arquivado em: Contas Nacionais, Economia Nacional, Números Estatística
Com a recepção de informação revista e de dados ainda não disponíbeis aquando da estimativa rápida, o INE reestimou a variação homóloga para a evolução do PIB ao longo do 3ª trimestre de 2009 passando do inicial 2,4% negativo para 2,5%. Face ao 2º trimestre do corrente ano o PIB cresceu 0,7% (0,9% na estimativa rápida). O cenário global mantêm-se face ao antecipado há alguns dias pelo INE na sua síntese económica mensal:
“(…) A diminuição menos intensa do PIB em termos homólogos esteve fundamentalmente associada à redução menos acentuada da procura interna, particularmente do Investimento, cujo contributo para a variação do PIB passou de -4,6 p.p. no segundo trimestre para -2,7 p.p. no seguinte. O contributo da procura externa líquida foi inferior ao verificado no trimestre anterior (0,9 p.p. e 0,2 p.p. do 2º para o 3º trimestre), tendo-se observado menores diminuições homólogas das Exportações e das Importações. (…)”
Relatório completo no sítio do INE (aqui).


