PIB português aumenta 1,4% no 2º trimestre de 2010
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A primeira estimativa para o crescimento do PIB relativa ao 2º trimestre de 2010, divulgada há instantes pelo INE, aponta para um crescimento homólogo de 1,4% ( desacelerando face aos 1,8% registados no 1º trimestre) e para uma variação face ao trimestre imediatamente anterior de 0,2% (a chamada variação em cadeia que, quando negativa em dosi trimestres sucessivos “abre” um período designado de recessivo). Segundo o INE:
“(…) No 2º trimestre verificou-se uma diminuição dos contributos da Procura Interna e da Procura Externa Líquida para a variação homóloga do PIB, comparativamente ao observado no trimestre anterior. (…)”
Contrariamente ao que sucedeu no primeiro trimestre, estes números agora apurados colocam o crescimento do PIB português abaixo dos valores médios calculados para a média da zona euro e da União Europeia como se pode comprovar na nota divulgada pelo Eurostat. A nível europeu destaca-se o forte crescimento da Alemanha (3,7% em termos homólogos e 2,2% em cadeia) ainda que em termos gerais várias economia europeia tenham superado as expectativas correntes ainda há bem pouco tempo.
Quantas horas gasta a trabalhar para os seus prestadores de serviços?
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Belíssimo texto de João Pinto e Castro: “O método Tom Sawyer da produtividade nos serviços“. Recomenda-se a leitura integral. Eis um excerto:
” (…) A IKEA vende mobiliário barato porque a montagem final corre por nossa conta. A economia conseguida corresponde euro por euro às horas de trabalho não contabilizadas que dispendemos no processo. Parte da fábrica foi transferida para nossa casa sem que disso nos apercebêssemos. Tornámo-nos funcionários subservientes das empresas que nos vendem produtos e serviços. Trabalhamos para elas sem horários, nem salários, nem direitos laborais. Mais: se o serviço funcionar mal, muito provavelmente a culpa será nossa.
O sistema consistente em pôr o público a trabalhar gratuitamente (ainda por cima pagando para isso) está generalizado na televisão e na rádio, cuja programação consiste cada vez mais em fóruns, reality shows, talk shows, concursos e entrevistas de rua. É o modelo Tom Sawyer de pintar a cerca da Tia Polly cobrando à garotada da rua maçãs ou berlindes pelo direito a dar umas pinceladas.
O aumento de produtividade de parte do sector dos serviços consiste em grande medida em persuadir-nos a suportarmos uma carga de trabalho cada vez maior; trabalho esse que, deixando de ser feito por empregados, assegura às empresas poupanças muito significativas. Inevitavelmente, porém, cada vez dispomos menos de genuíno tempo livre. Toda a gente se queixa de que esteve muito ocupada no fim de semana. A fazer o quê? Ora, a percorrer os corredores do supermercado, a lavar o carro, a fazer transferências bancárias, a esperar na bicha do fast food, a ensinar às crianças o que não aprenderam na escola, a reparar a impressora seguindo as instruções do call-center ou a montar estantes. Tanta modernidade deixa-nos esgotados. (…)”
Famílias consomem mais mas poupam também mais no 1º trimestre de 2010 (act.)
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É uma aparente quadratura do círculo que retrata um cenário desejável e que se quer (mas não se garante) duradouro, particularmente no que se refere às famílias. As necessidades de financiamento da nossa economia foram menores no 1º trimestre de 2010 que em momentos anteriores. Os receios de aterragem brusca (com quebras no investimento que se poderão tornar alarmantes pelo eventual impacto na capacidade produtiva e no emprego) não estão contudo descartados.
O INE divulgou hoje as estatísticas sobre contas nacionais relativas ao primeiro trimestre de 2010 desagregadas por sectores institucionais: famílias e instituições sem fins lucrativos ao serviços das famílias, empresas financeiras, empresas não financeiras e administrações públicas.
Estes números permitem compreender os dados do PIB numa perspectiva diferente da habitual, sendo possível analisar isoladamente o comportamento de cada um destes sectores e de algumas das suas desagregações adicionais (por exemplo, administração central, administrações locais, etc).
O destaque escolhido pelo INE refere-se ao incremento (ainda que em desaceleração) da taxa de poupança das famílias (10,7% do PIB) e da capacidade de endividamento das famílias fruto dos recursos gerados pela poupança, pelo saldo positivo das transferências de capital e pela redução do investimento.
Aparentemente o consumo aumentou mas a um ritmo mais lento do que o rendimento disponível. Para melhores e maiores detalhes o ideal é espreitar a nota de imprensa do INE e os respectivos quadros.
PIB no 1º trimestre revisto em alta: crescimento homólogo de 1,8% (act.)
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Acabou de ser divulgado o comunicado do INE sobre as Contas Nacionais Trimestrais relativas ao primeiro trimestre de 2010 indicando uma ligeira revisão em alta (uma décima) para a taxa de variação homóloga do PIB (fixou-se nos 1,8%) face à estimativa rápida recentemente divulgada (“PIB português surpreende com crescimento de 1,7% no 1º trimestre (actualizado)“). Face ao trimestre imediatamente anterior a estimativa inicial foi igualmente revista em alta, estabelecendo-se agora nos 1,1%.
Como já havia sido anunciado o incremento na Procura Interna e um reforço das exportações superior ao aumento das importações, juntamente com um trimestre de comparação (o 1º de 2009) extremamente negativo, justificam a evolução do PIB agora constatada. Note-se que cerca de 75% do aumento da variação homóloga se deveu a um aumento da Procura Interna e apenas cerca de 25% à melhoria ao nível da Procura Externa Líquida.
PIB português surpreende com crescimento de 1,7% no 1º trimestre (actualizado)
O Produto Interno Bruto português terá crescido 1,7% no primeiro trimestre de 2010 face a igual período de 2009 informa o instituto nacional de estatística na sua primeira estimativa para este valor. Segundo o INE:
“(…) O aumento do PIB em termos homólogos no 1º trimestre esteve parcialmente associado a um efeito de base (o PIB no 1º trimestre de 2009 diminuiu 3,7%), verificando-se uma melhoria dos contributos da Procura Interna e da Procura Externa Líquida, mais intensa no primeiro caso. (…)”
Ainda segundo o INE o crescimento face ao último trimestre de 2009 terá sido de 1%, afastando-se assim, claramente, a perspectiva de se entrar em novo período de recessão técnica (que acontece quando ocorrem duas variações em cadeia consecutivas).
Há cerca de 3 anos que não se registava crescimento homólogo tão intenso. Outra nota que relativiza este número prende-se com o seu enquadramento na União Europeia e na Zona Euro em particular.
O ritmo de crescimento homólogo português no primeiro trimestre (1,7%) compara com um crescimento de 0,5% no conjunto dos países da zona euro e com um crescimento de 0,3% no conjunto de toda a União Europeia.
Quanto à variação em cadeia ( face ao trimestre imediatamente anterior) a economia Portuguesa (+1,0%) foi a que cresceu a um ritmo mais intenso no conjunto dos 27 países. Do conjunto de dados dos restante países da União hoje compilados pelo Eurostat, sublinha-se que a Espanha terá saído marginalmente da recessão (+0,1%) e que a Alemanha registou o 3º ritmo de crescimento mais forte face ao o corrido há um ano (+1.5%), logo atrás de Portugal (+1,7%) e da Eslováquia (+4,6%).
2010 será ano de destruição líquida de Emprego em Portugal
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Inserido no Boletim Económico da Primavera hoje divulgado pelo Banco de Portugal, encontra-se um conjunto de projecções para a economia portuguesa relativas a 2010 e 2011.
Com estas projeções de Primavera, o Banco de Portugal revê em alta o impacto positivo da Procura Externa para o crescimento económico nacional durante 2010. Contudo, esta revisão significativa não é suficiente para contrabalançar outras de sinal inverso. Na realidade, o Banco de Protugal prevê agora uma evolução negativa do Consumo Público, um agravamento dos níveis previstos para o Investimento/FBCF (que eram já estimados como negativos no Boletim de Inverno) e uma degradação da Procura Interna. Em suma, o cenário macroeconómico deteriorou-se face à última análise do Banco de Portugal (BdP).
O crescimento previsto para o PIB é agora de 0.4% e de 0.8% para 2010 e 2011, respectivamente. O BdP prevê ainda a destruição líquida de emprego ao longo de 2010 com uma ligeira recuperação em 2011.
O Boletim completo pode ser acedido aqui.
Este artigo procurou respeitar o novo acordo ortográfico.
Portugal à beira da recessão técnica – outra vez
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Afinal, fruto das sempre inevitáveis revisões e de informação de base adicional (neste caso relativa a dados do comércio externo e respectivos deflatores) a estimativa rápida que o INE havia feito para o PIB nacional relativo ao 4º trimestre de 2009 (“Portugal volta a divergir: PIB caiu 2,7% em 2009“) foi recalculada tendo-se fixado um pouco abaixo de zero: o PIB no 4º trimestre foi inferior, em volume, ao registado no trimestre anterior em 0,2%. Para quem gosta muito de parangonas pode dizer que ficámos à beira da recessão técnica, pois bastará uma variação em cadeia negativa no próximo trimestre para cumprirmos com os requisitos.
A variação homóloga foi ainda pior, -1,0%, tendo sido contudo a menos intensa ocorrida ao longo dos 4 trimestres de 2009.
Fruto de termos tido um deflator negativo para o PIB, este ano aconteceu a singularidade de a queda do PIB entre 2008 e 2009 ter sido menor em termos nominais (1,7%) do que em termos reais (2,7%). Quanto é o PIB e preços correntes? 163,6 mil milhões de euros. Relatório completo do INE disponível aqui.
