Portugal à beira da recessão técnica – outra vez
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Afinal, fruto das sempre inevitáveis revisões e de informação de base adicional (neste caso relativa a dados do comércio externo e respectivos deflatores) a estimativa rápida que o INE havia feito para o PIB nacional relativo ao 4º trimestre de 2009 (“Portugal volta a divergir: PIB caiu 2,7% em 2009“) foi recalculada tendo-se fixado um pouco abaixo de zero: o PIB no 4º trimestre foi inferior, em volume, ao registado no trimestre anterior em 0,2%. Para quem gosta muito de parangonas pode dizer que ficámos à beira da recessão técnica, pois bastará uma variação em cadeia negativa no próximo trimestre para cumprirmos com os requisitos.
A variação homóloga foi ainda pior, -1,0%, tendo sido contudo a menos intensa ocorrida ao longo dos 4 trimestres de 2009.
Fruto de termos tido um deflator negativo para o PIB, este ano aconteceu a singularidade de a queda do PIB entre 2008 e 2009 ter sido menor em termos nominais (1,7%) do que em termos reais (2,7%). Quanto é o PIB e preços correntes? 163,6 mil milhões de euros. Relatório completo do INE disponível aqui.
Mais de exportações, menos de importações (ou quase) – Julho a Setembro de 2009 (act.)
O último trimestre de estatísticas do comércio internacional (terminado em Setembro), e particularmente ao nível do comércio com países externos à União Europeia, revelou-se muito… não negativo para a balança comercial portuguesa. As exportações continuaram em quebra significativa (-17,5%) mas a um ritmo mais moderado do que a queda da aquisição de bens e serviços ao estrangeiro (-20,4%). Como referido, esta evolução surge exacerbada no comércio extracomunitário com as importações a cairem 35,1% e as exportações 21,0%, uma evolução que se atenua fortemente mas que não desaparece se retirarmos os Combustíveis e Lubrificantes das contas.
O relatório completo pode ser consultado no portal do INE.
Comércio internacional com destino à UE reforça importância nos primeiros oito meses de 2009
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Se somarmos o acumulado de exportações e importações entre Janeiro e Agosto de 2009 hoje divulgado pelo INE e o detalharmos por destinos comparando com idêntico período de 2008, verificamos que o peso do comércio externo com destino/origem na União Europeia passou de 73,2% para 76,9%, uma inversão da tendência dos anos mais recentes se a memória não me trai.
Destaca-se entre os nossos parceiros comunitários o reforço da relevância da Alemanha (de 12,3% para 13,3%), da Espanha (de 29,3% para 29,8%), da Holanda (de 4,0% para 4,5%) e da França (de 9,8% para 10,1%). Destaco em particular a Alemanha por ter reforçado o seu peso quer como fornecedor (passando de 12,0% do total para 13,1%), quer como cliente (passando de 12,8% para 13,5%). A Espanha, nosso principal parceiro comercial, reforçou o seu peso à custa da sua condição de fornecedor (passando de 30,1% para 32,0%) tendo perdido relevância como destino das nossas exportações (passando de 28,0% para 26,4%). Enfim, curiosidades e sinais que se poderão reforçar à luz das expectativas de evolução económica para estes parceiros nos próximos meses.
Comércio externo contrai-se fortemente mas podia ser pior
As exportações caíram 27,1% no trimestre terminado em Abril face ao período homólogo. Um cenário negro sem dúvida que só não é mais preocupante porque o ritmo de queda das compras de bens e serviço ao exterior (as importações) é ainda maior 29,0%.
Na realidade, enquanto há um ano vendiamos 57,3€ de bens e serviços por cada 100€ que comprávamos, agora conseguimos vender 74,8€ por cada 100€ que compramos. É certo que se a actividade económica desaparecer deixamos de ter défice mas ainda não chegámos a tanto…
A dívida que resulta de uma balança comercial deficitária é assim hoje bem menor de que há um ano. Seria preferível que este ajustamento se fizesse com valores positivos em ambas as rúbricas (exportações e importações) mas no meio da crise, ao menos que as empresas exportadores resistam melhor do que o mercado interno, particularmente se esta maior resistência das exportações não assenta em produtos de baixo preço e de baixa qualidade, tipicamente mais procurados quando há míngua de dinheiro. Na realidade, a diversificação das exportações nacionais parece continuar a ser um dado real e estável destes últimos anos e meses.
Mais detalhes no INE.
Exportações sobem 6,0%, Importações caiem 9,5%
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O título deste artigo refere-se aos dados do último trimestre do comércio extra-comunitário, um dos melhores dados económicos divulgados pelo INE nos últimos tempos. Note-se contudo que estamos a falar apenas de cerca de um quarto do total do comércio internacional português. Na realidade, se considerarmos este cenário mais alargado, o ano não terá fechado com uma nota positiva. Os dados até Novembro que foram também hoje divulgados, relativos à globalidade do comércio externo, apontam para um agravamento muito significativo do desequilíbrio da nossa balança comercial com as exportações a cairem mais depressa que as importações: 5,9% as primeiras e 1,5% as segundas. A procissão ainda via no adro (só em Novembro as quedas se tornaram verdadeiramente expressivas) e parte deste diferencial de andamento pode explicar-se por algum desfasamento entre vendas e compras mais a respectiva gestão de stocks quando aplicável, além de se esperar pelos dados em volume incorporados nas contas nacionais a divulgar na próxima semana há que aguardar pelos próximos meses e observar com atenção também o comércio extra-comunitário, o tal que terá estado na base de um arremedo de tentativa de alteração do paradigma económico português e que poderá (ou não) ter sido interrompido em definitivo pela actual crise internacional. No fundo a pergunta passa por saber quão dura será a recessão em Angola, EUA, Singapura, Malásia, Brasil, entre outro e quanto, se algum, desse efeito, será eliminado por alguma vantagem específica das exportações nacionais no mercado extra-comunitário.
Os dados do INE estão disponíveis no sítio do costume:
Comércio Extra-Comunitário (Dezembro de 2008)
Comércio Internacional (Novembro de 2008).
Superavit no Comércio Extracomunitário*
Nem tudo é negativo nos números relativos ao comércio com o exterior, hoje divulgados pelo INE. Destaco por exemplo, esta realidade que anda por aí há alguns tempo: descontondo os produtos energéticos, exportamos mais do que importamos das países extracomunitários e os volumes continuam a crescer significativamente. Eis um parágrafo do destaque hoje publicado pelo INE:
“(…) Excluindo os Combustíveis e lubrificantes, no 3º trimestre de 2008, constata-se que as exportações cresceram 24,5% e as importações 6,0%, relativamente a igual período de 2007. O saldo da balança comercial, excluindo Combustíveis e lubrificantes, atingiu um superavit de 196,0 milhões de euros e a correspondente taxa de cobertura foi de 109,1%, enquanto que nos resultados globais (incluindo os Combustíveis e lubrificantes) se registou um défice de 1 703,1 milhões de euros, com uma taxa de cobertura de 61,2%. (…)”
In Comércio Extracomunitário – Exportações aumentam 21,3% e Importações 23,1% – Setembro de 2008
Os dados relativos ao Comércio Internacional, mas relativos ao período terminado em Agosto estão aqui.
* Excluindo os Combustíveis e lubrificantes.
O que é que consegue comprar por 5 dólares?
Arquivado em: Comércio Internacio., Economia Internacio.
Um grupo de estudos da Nokia criou um site (fivedollarcomparison.com) onde qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, pode submeter fotos do que consegue comprar por 5 dólares no país onde vive. Dizem eles, traduzindo livremente, que se estão a focar em identificar e perceber futuras disrupções e oportunidades, olhando 3 a 15 anos no futuro e que pretendem usar os resultados para desenvolver novas ideias para produtos e serviços. Esquecendo então que estas pessoas que submetem as suas fotos estão a ajudar a Nokia à borla, este projecto podia ter sido inventado pela Economist…uma espécie de indíce Big Mac ao contrário!

- Gasolina nos EUA
Ver: uma ida ao cabeleireiro no Uganda, um galão de Diesel nos EUA (aproximadamente 3.8 litros), uma gasosa em Itália, um saco de detergente para lavar loiça na Finlândia, uma caixa de metal trabalhado para guardar o Corão na Índia.
Cláudia Dias
Peso do comércio externo continua a subir
Segundo os últimos dados do INE as exportações bee como as Importações continuam a registar crescimentos homólogos bem acima dos apurados para o PIB (neste caso tomando os dados em valor).
As importações continuam mais dinâmicas contribuindo para a degradação dos termos de troca e para a deterioração da balança comercial.
“No trimestre terminado em Abril de 2008, as saídas registaram face ao período homólogo (Fevereiro a Abril de 2007) um aumento de 7,1% e as entradas de 14,3% tendo-se agravado o défice da balança comercial.
Face ao período homólogo, os Combustíveis e lubrificantes registaram um aumento de 60,9% nas entradas e de 42,5% nas saídas. Destaca-se ainda o crescimento nas entradas de Material de transporte (+33,1%), e nas saídas, dos Produtos alimentares e bebidas (17,7%).” Fonte INE
Note-se que contrariamente ao que vem sendo habitual este relatório do INE não acumula os dados do ano até ao último mês disponível. Neste caso o mês de Janeiro não foi considerado, ou seja, refere-se a informação de Fevereiro a Abril de 2008, ou por outras o trimestre terminado em Abril. Ocorreu uma alteração do reporte como se pode verificar nas notas explicativas.
O INE divulgou ainda a síntese sobre o comércio extracomunitário que abrange já o mês de Maio.
Os últimos cartuchos dos Estados desesperados com a fome
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” (…) “Estamos muito preocupados com o aumento dos preços do arroz”, afirmou ontem Demba Dahaba, em entrevista à Bloomberg, durante um encontro do Banco Africano de Desenvolvimento, que se realizou em Maputo, Moçambique. “Isentámos o arroz de taxas alfandegárias, mas estas são apenas medidas de curto prazo”, salientou. “A única opção é aumentar a produção para aumentar a sustentabilidade”, concluiu. (…)”
Abudacar Demba Dahaba, Ministro da Economia da Guiné Bissau, citado pelo Jornal de Negócios.
Comércio internacional – Importações reforçam crescimento
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Fresquinhos, acabadinhos de sair:
“Comércio Internacional Saídas e Entradas mantêm tendência de crescimento, com maior dinamismo nas Entradas – Fevereiro de 2008
“No trimestre terminado em Fevereiro, as saídas registaram comparativamente com o período homólogo (Dezembro 2006 a Fevereiro 2007) um aumento de 8,0% e as entradas de 14,4% tendo-se agravado o défice da balança comercial.
Face ao período homólogo, os Combustíveis e lubrificantes registaram um aumento de 55,9% nas entradas e de 54,5% nas saídas. Nas entradas, destaca-se o crescimento do Material de transporte, enquanto que nas saídas, é a categoria dos Produtos alimentares e bebidas que regista o maior acréscimo.”
“Comércio Extracomunitário – Exportações aumentam 11,5% e Importações 26,4% , no primeiro trimestre de 2008 – Março de 2008″
No primeiro trimestre de 2008, as exportações registaram um crescimento de 11,5% e as importações de 26,4%, em relação ao período homólogo do ano anterior, determinando um agravamento do défice da balança comercial com os Países Terceiros.
A análise das trocas comerciais de bens com os países BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) indicia que estes mercados emergentes não estão ainda a ser aproveitados pelas empresas nacionais como uma oportunidade para diversificação dos mercados de destino das suas exportações, apenas se denotando um crescimento e um peso significativo em termos das importações.


