Férias
O Economia & Finanças vai estar, pela parte que me toca, de férias. O regresso está agendado para Maio. Até lá, bons negócios!
As importações voltam a crescer mais depressa que as exportações
Arquivado em: Comércio Internacio., Economia Nacional, Números Estatística
O INE divulgou hoje a informação habitual relativa ao comércio internacional (até Janeiro de 2008) e especificamente relativo ao comércio extra-comunitário (até Fevereiro de 2008). O movimento que se desenhava nos últimos meses reforça-se agora: depois de largos meses em que as exportações cresciam mais depressa que as importações a situação inverteu-se. Mais consumo? Mais bens de equipamento para promover mais capacidade produtiva? Um pouco dos dois mas o melhor mesmo é espreitar os números.
Gestão danosa dos dinheiros públicos e privados
Arquivado em: Dinheiros, Economia Nacional, Legislação, Política Económica, Regulação Económica, Sociedade
Eis dois editoriais a não perder que foram publicados no Jornal de Negócios.
- O primeiro de ontem: “Pela estrada fora” de João Cândido Silva. Um excerto
“O mínimo que se pode dizer sobre as conclusões do relatório produzido pelo Tribunal de Contas a respeito das parcerias público-privadas no sector rodoviário, é que se trata de um documento impressionante. Com uma frieza implacável, o conteúdo do documento supera as piores desconfianças ao fornecer um retrato de caos e irresponsabilidade incorrigíveis, num negócio que serve muitos fins excepto aqueles que deveria cumprir.”
- O segundo de hoje: “A reforma no prego” de Pedro Santos Guerreiro. Um excerto:
” Saber que o número de resgates de PPR disparou no primeiro trimestre pode parecer apenas mais um reflexo da crise económica e financeira. Nada disso. Este é um indicador avançado da desgraça. Só não vê quem não quer.”
O estranho caso das portagens duplicadas
Arquivado em: Economia Nacional, Energia, Política Económica, Sociedade
Volta e meia (que expressão tão curiosa!) lá vem um estudo anunciar que é indispensável cobrar portagens nas entradas de Lisboa que ainda não as têm. Hoje a notícia é mais assustadora pois traz a chancela do LNEC.
Notem que sou um acérrimo defensor da existência de portagens, particularmente as que já existem. E não não estou a pensar nas da Ponte 25 de Abril, nem nas da Vasco da Gama, nem sequer nas da A5 ou nas da A1. Estou a pensar nas outras, as únicas que me convencem como extremamente eficazes, uma chama-se “pára-arranca” e a outra PARQUÍMETRO.
A do pára-arranca combinada com a subida do preço dos combustíveis tem efeitos demolidores nas pretensões de muitos candidatos a mister e miss “conforto”. Não tenho grandes dúvidas que está em vias de extinção aquela espécime que vem de carro para Lisboa porque sim (e notem que mesmo o mais empedernido teimoso andará a ver a sua fortuna por um canudo por estes dias). Demorar duas horas por dia dentro do carro e apagando 8 ou 9 ou 10 litros aos 100 seja de gasolina ou gasóleo têm um efeito nada desprezível para a maioria do comum dos mortais. Ou seja, acredito que cada vez mais que quem usa o carro é porque ainda assim acha que é a solução mais racional (uma família completa com filhos pequenos, por exemplo) ou porque não tem alternativa condigna.
A outra portagem é a mais democrática, eficiente e potencialmente eficaz que se pode inventar e já foi inventada, chama-se como disse, parquímetro. SE todo o bólide que entrasse em Lisboa tivesse a garantia de ter de pagar para aparcar, o seu utilizador seguramente faria/fará a devida reflexão face às alternativas que tem. Sinceramente não estou a ver como é que uma portagem mais cara na 25 de Abril ou uma nova estrutura de portagens no IC19 possam ser mais eficazes do que o parquímetro, com a vantagem de se poupar um ror de dinheiro em novas instalações, novas leis e posturas municipais, etc.
Convém sublinhar que há ainda muito por fazer ao nível da melhoria da eficácia do parquímetro. Há ainda muita gente que passa incólume porque a sua empresa ou ministério tem estacionamento gratuito. Uns largos milhares de carros. Se se quer constranger mais o uso do transporte público por esta via penalizadora invista-se aí. Como disse, poupar-se-á imenso dinheiro e garanto que se terá uma solução imbatível. Haver ruas específicas com acesso limitado também não é novidade e facilmente controlado pela diferenciação de preços dos ditos parquímetros, como aliás já de vai praticando. Também aqui poderá haver refinamentos.
Mas gostava de tocar ainda num ponto fundamental. Se é caro e desgastante usar o carro, por exemplo para quem vem de Sintra, e se o utente é racional, o que se pode fazer? A menos que se pense em aumentar a capacidade de resposta do comboio – que na hora de ponta tem já muito pouca folga para acomodar mais utilizadores – a solução passa por promover, ou a relocalização dos empregos para junto das aglomerados urbanos, e/ou promover a relocalização das pessoas para perto do seu local de trabalho. Não há volta a dar. Se não se for por aí podem vir milhares de esquemas de portagem, podem vir mais e novas estradas, podem gastar o que não temos a fazer mais e mais linhas de comboio, podem apregoar aos sete ventos a necessidade de proteger o ambiente que o resultado será o mesmo: as pessoas continuarão a ter de se deslocar de forma pouco eficiente e extremamente dispendiosa. E notem que as casas dvolutas já existem hoje, não surgirão amanhã caso as pessoas regressem à cidade; apenas estarão em sítios diferentes.
E aqui, no centro de Lisboa (que não na periferia) os transportes públicos ainda se pautam por andar quase sempre às moscas, a Carris então…
P.S.: Até tenho uma ideia ou duas um pouco diferentes das habituais para promover o regresso a Lisboa das centenas de milhares que daqui foram chutadas mas essas ficarão para outro artigo.
Mais um tema a que voltarei inevitavelmente.
Os banqueiros são péssimos a avaliar o risco
Arquivado em: Dinheiros, Economia Internacio., Mercados, Regulação Económica
“(…) Lenders made more money available for home-buying in the 1990s. More people bought houses, increasing their prices. This boosted the value of the collateral on banks’ balance sheets, encouraging them to lend more. Prices rose further, prompting more lending and a relaxation of underwriting standards, and so on. (…)
Regulators need to regain the control they happily ceded in the 1980s, particularly over excessive borrowing. The idea that risk management can be left to the moneymen is an “aberration”. After three decades of stellar growth, the financial-services industry needs to shrink and become less profitable.(…)”
O artigo da Economist com George Soros.
Uma pilha para resolver os problemas
Lê-se nesta notícia que se realizou o primeiro voo civil de um avião (com motor) movido a hidrogénio. Dizer que é movido a hidrogénio é uma simplificação, mas útil no sentido em que a ter existido utilização de combustíveis fósseis ele terá estado a montante da utilização efectiva do avião. Quando o piloto disparou a ignição não carburou uma molécula de carbono mas de água.
É pena que ao nível dos automóveis tardem tanto a surgir soluções de transporte em massa recorrendo a este tipo de tecnologia. Não sendo uma fonte de energia primária tenho para mim que ajudariam imenso a resolver graves problemas da humanidade.
Por exemplo, mais uma ponte sobre o Tejo não seria de forma tão evidente uma porta de entrada para mais poluição na cidade mas outra coisa (mais) inequivocamente positiva.
Lembrete fiscal: tem 11 dia para entregar o IRS…
Lembrete fiscal: tem 11 dia para entregar o IRS se só tiver rendimentos de actividades por conta de outrem ou de pensões como indicámos no Calendário Fiscal.
O próximo dia 15 de Abril, terça-feira, é o último dia de entrega da declaração anual de rendimentos para essas situações.
No dia seguinte inicia-se o período de entrega para as restantes situações, período esse que se prolonga até 25 de Maio.
Um milhão de páginas visualizadas
Em pouco mais de um ano o Economia & Finanças foi visitado por cerca de meio milhão de leitores tendo estes visualizado mais de um milhões de páginas – número alcançado ontem a meio da tarde.
Na mailing list contam-se hoje cerca de 450 leitores activos que recebem um e-mail diário com tudo o que se publicou ao longo desse dia, no Economia & Finanças. Este é aliás o número que mais me surpreende pela positiva. Além dos visitantes diários que contribuem para o tal milhão de páginas em um ano, há neste momento quase meia centena de leitores diários (que não entram em larga maioria para a estatística das visitas) que decidiram receber por e-mail e mantêm esse interesse. Hoje, por exemplo, temos 675 leitores do Economia & Finanças que o seguem por feeds RSS (onde se incluem os da mailing list).
Com tempo, essa inevitável restrição, desejaria conhecer um pouco melhor esses (e os outros leitores) tal como desejaria ver o Economia & Finanças dinamizado por outras pessoas.
Seria interessante, por exemplo, ter um correspondente no Brasil e/ou em Angola. Alguém que estivesse interessado em complementar com conhecimento de causa o trabalho que por aqui se vai fazendo, essencialmente centrado no dia-a-dia português. Fica a dica para algum interessado (a área de contactos e as caixas de comentários estão disponíveis).
Entretanto fica também um abraço especial para quem me tem ajudado a manter o nível do que aqui se tem escrito, particularmente nos últimos tempos o António Dias que vai trazendo contributos pontuais sempre interessantes sobre as indústrias que prosperam sobre a internet.
Obrigado pela preferência e desculpem os erros futuros e passados que possam encontrar por aqui.
Da inimputabilidade bancária sobre os produtos que vende
Arquivado em: Instituições Financ., Regulação Económica
João Pinto e Castro demonstra hoje no seu Bl-g- -x-st- o poder da metáfora pegando na responsabilização (ou falta dela) dos intermediários financeiros. Leitura indispensável, digo eu. Eis um excerto:
“(…) Quando uma empresa vende croquetes estragados pode ser penalizada por esse facto e obrigada a indemnizar os consumidores. Se não sabe que comprou carne avariada, deveria saber. Pelo contrário, um banco que vende instrumentos de investimento inquinados não é forçado a assumir a responsabilidade perante os seus clientes.
No primeiro caso, a vigarice é castigada, quando não fiscalizada preventivamente pelas ASAE da vida; no segundo, é protegida por entidades reguladoras enfarpeladas e bem-falantes como a Reserva Federal norte-americana. (…)”
O aspecto positivo do aumento do preço da energia
Arquivado em: Dinheiros, Economia Nacional, Empresas, Energia
Projectando-nos no futuro que será ainda o da grande maioria daqueles que nos lê, convém sublinhar que o continuo aumento do preço dos combustíveis que se tem verificado e que se verificará no futuro, terá inevitavelmente uma consequência já visível que se espera seja reforçada de forma significativa: o lançamento de alternativas tecnológicas ao nível da geração mas também do consumo de energia.

E é particularmente ao nível das novas tecnologias a incorporar nos bens de equipamento que me parece estarmos mais longe do futuro desejável. É ao nível da tecnologia que faz mover os transportes (actualmente os grandes consumidores de combustíveis fósseis nos países mais desenvolvidos) mas também de uma infindável quantidade de electrodomésticos e de equipamentos industriais que há um longo caminho a percorrer. Entre tecnologia que está semi-desenvolvida, em alguns casos há anos, mas que espera melhores dias (condições favoráveis no mercado) para ser produzida em larga escala e tecnologia que temos de desenvolver, há um ror de trabalho, científico, político e socio-cultural a fazer, tal como há uma imensidão de vontades e de consciências que têm de ser envolvidas no processo.
A boa notícia do aumento dos preços é que a cada novo aumento haverá maior pressão para que tecnologias engavetadas mas mais eficientes no consumo de energia vejam a luz do dia da produção e entrem em competição directa com as já existentes. Haverá também mais recursos disponibilizados para desenvolver novas ferramentas, novos equipamentos mais económicos em termos de consumo energético. Por outro lado, haverá maior pressão sobre quem tem “investido” em manter o status quo, nomeadamente entre os que têm hoje mais a perder com a reconversão energética e que, como sabemos, não deixam por mãos alheias a defesa dos seus interesses.
Finalmente, a subida dos preços dos combustíveis potencia a eficácia de medidas de política económica e fiscal que os Estados desenvolvam no sentido de acelerar a resposta do mercado ao inevitável novo paradigma: acabou-se a energia a preço da chuva ácida (digo ácida que a outra também já vai sendo muito valiosa).
Voltarei a este tema. Inevitavelmente.



