PSI-20 cai 4,23%

16 August, 2007 by Pedro Oliveira · Deixe um comentário
Arquivado em: Dinheiros, Mercados 

À hora a que escrevo este post, o PSI-20 cai 4,23%.

A Bolsa de Valores Portuguesa está em linha com as congéneres europeias, que estão novamente a sofrer as consequências da chamada crise das sub-primes (crise no mercado de crédito a habitação no Estados Unidos, particularmente aquele vocacionado para famílias de alto risco de incumprimento), falada ali em baixo.

Como tem vindo a ser habitual também, a Bolsa de Valores Portuguesa é, a esta hora, a campeã das quebras entre as principais praças europeias. 

Destacam-se a Altri(-10,2%), a MotaEngil (-9,16%) e a Soares da Costa (-8,48%) como as 3 mais (menos, no caso). Nenhuma acção do PSI-20 está, neste momento, acima da linha.

Onde vai isto parar?

Update: o PSI-20 fechou a cair 4,53%!

Para onde vai mesmo o dinheiro dos combustíveis? (aumentado)

17 January, 2007 by Pedro Oliveira · 13 comentários
Arquivado em: Dinheiros 

Pegando um pouco mais a fundo na matéria que está a ser discutida aqui em baixo, não queria deixar passar a oportunidade de esclarecer algumas barbaridades referidas no artigo do Eduardo Moura.

Vou ser bem explícito. Os dados sobre os PVP (Preços de Venda ao Público) são da DGE, bem como a taxa de ISP por litro de gasolina sem chumbo 95 (pois esta ainda é a mais vendida em Portugal). Atente-se que a taxa de IVA em Janeiro de 2005 era 19%, mas em Julho de 2006 já era 21%.

O preço do barril de crude pode facilmente ser retirado da Internet e a taxa de câmbio euro/dólar é a publicada pelo Banco de Portugal. Os dados relativos a Janeiro de 2007, sendo um mês ainda não terminado, referem-se à média dos dias disponíveis.

Os resultados são os seguintes:


calculos_io95v3.jpg

 

Ou seja, entre Janeiro de 2005 e Janeiro de 2007, os preços da gasolina IO95 aumentaram 28,8%, devido a um aumento de 18,2% nos impostos e de 51,3% no restante, que inclui o preço da matéria-prima e a margem de refinação.

Naturalmente que a fatia de leão vai para o Estado em impostos, tal como no caso do imposto sobre o tabaco, mas reduzir a responsabilidade do aumento dos combustíveis (relativamente ao preço da matéria-prima) aos impostos, é tremendamente redutor e falacioso.

Cenário bem diferente este, não? E mais não digo.

Editado: quadro substituído por um outro mais detalhado e mais informativo.

Ainda as taxas de juro na União Europeia

3 November, 2006 by Pedro Oliveira · Deixe um comentário
Arquivado em: Dinheiros, Política Económica 

Rumo da economiaJá por aqui falámos neste assunto, até mais do que uma vez. E na altura já as perplexidades se iam avolumando, à medida que se ia conhecendo a evolução da inflação na zona euro.

Recentemente, o Eurostat divulgou a primeira estimativa da inflação na zona euro para o mês de Outubro, que se deverá ter fixado em 1,6% em termos homólogos. Face ao mês anterior (no qual tinha sido 1,7%) trata-se da segunda desaceleração consecutiva da taxa de inflação (relembre-se que em Agosto este mesmo indicador registou 2,3%).

Na sua reunião de ontem, a autoridade monetária europeia, BCE, decidiu manter a taxa de juro de referência nos 3,25%. Contudo, o seu presidente, Jean-Claude Trichet, não deixou de lançar diversos avisos em tom de ameaça na conferência de imprensa que se seguiu à reunião.

A subida da taxa de juro de referência na zona euro para 3,5% em Dezembro é bem provável. Trichet refere não apenas os riscos imediatos de aumento da inflação, pois diz estarmos actualmente a beneficiar de um efeito de base conjuntural (comparamos com os meses de 2005 em que os preços do petróleo subiram muito), mas alerta ainda para os potenciais efeitos futuros na inflação da zona euro dos anunciados aumentos do IVA na Alemanha em 2007. Verdade. Verdade é também que a única classe de produtos que tem comprometido a “meta” do BCE, os energéticos, viu os seus preços descer 20% recentemente.

O que não deixa de ser curioso foi o movimento recente das taxas de juro nos mercados monetários, que registaram diminuição para os prazos mais curtos, algo que não acontecia há algum tempo.

Sigo esta “novela” com atenção e alguma apreensão, pois os objectivos centrais do BCE em termos de estabilidade de preços podem condicionar fortemente as perspectivas de crescimento na zona euro, nomeadamente de um pequeno país como Portugal. Sofremos não apenas com o efeito directo de aumento das taxas de juro (maior sufoco das famílias e menos investimento das empresas), mas iremos também sofrer de forma indirecta, pois se vier por aí uma desaceleração mais ou menos generalizada do crescimento nos principais países da UE, nossos principais parceiros comerciais, as nossas exportações irão sofrer. E relembre-se, as exportações (felizmente) têm sido o nosso principal motor do crescimento nos trimestres mais recentes.

OPV sobre a Galp: termina hoje o período de subscrição

20 October, 2006 by Pedro Oliveira · Deixe um comentário
Arquivado em: Dinheiros, Empresas 

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Termina hoje o segundo período de subscrição de acções no âmbito da OPV sobre a Galp, que já não beneficiará da majoração para determinação do factor de rateio (o qual existia na primeira fase).

No dia 12 de Setembro tínhamos aqui referido que a procura na OPV da Galp já tinha ultrapassado em 56% a oferta disponível. Segundo o Jornal de Negócios, até ao dia de ontem, a procura na OPV da Galp atingiu os 1,53 mil milhões de acções, 18,4 vezes acima da oferta disponível.

Na segunda-feira terá lugar a operação especial de bolsa onde será apurado o resultado final da operação e no dia seguinte, as acções deverão começar a negociar“.

A este ritmo, é bem possível que se feche o dia de hoje com uma procura 20 vezes superior à oferta. Não tenho completa memória do que foram todas as anteriores OPV’s, mas certamente que estamos perante um “caso de sucesso”.

Senhores investidores endinheirados mas distraídos, apressem-se.

Finalmente a inflação e o OE 2007

Como já tínhamos aqui avançado e comentado, há uma clara discrepância entre os valores conhecidos para o IPC até Setembro e a previsão para a inflação em 2007 efectuada pelo Ministério das Finanças. Este último prevê uma variação de 2,5% para o IPC em 2006, mas a média dos últimos 12 meses até Setembro situa-se já em 3,1%.

O Público num artigo de hoje dá conta da revisão do IPC e do seu impacto nas premissas do OE 2007, dando também nota das declarações da UGT e da CGTP. Extraordinária considero a declaração do Ministro das Finanças que disse na apresentação do OE 2007 que "a revisão não terá qualquer impacto sobre a previsão do orçamento para a inflação em 2007". Há sempre um efeito de carry-over nas previsões da inflação, por pequeno que possa ser.

O INE alterou método de cálculo da inflação – e o novo valor é bastante mais alto que o previsto pelo Governo no orçamento.

A taxa de inflação em 2006 vai ser de pelo menos três por cento. O diagnóstico é das centrais sindicais, que se baseiam na série revista do Índice de Preços no Consumidor (IPC) do Instituto Nacional de Estatística (INE) – que apurou um valor de 3,1 por cento para a inflação média dos últimos doze meses até Setembro. Este valor é substancialmente mais alto que o contido no Orçamento do Estado para 2007 – em que o Governo usa a série antiga, e prevê uma taxa de 2,5 por cento. Leia mais

Apresentação do Orçamento de Estado 2007 – Parte II

oe2007_k.jpgO Orçamento de Estado para 2007 é certamente o assunto do dia e convém continuar a debater as questões já avançadas no tópico anterior e outras ainda não referidas.

Relativamente ao cenário macroeconómico para 2006 e 2007, nomeadamente no que diz respeito ao crescimento do PIB, a minha opinião pessoal é que este está perfeitamente dentro dos limites razoáveis. Para 2006, 1,4% de crescimento está dentro do intervalo provável de variação do PIB, embora considere que 1,3% fosse mais razoável. E sinceramente, perdoem-me os "puristas", 0,1p.p. é virtualmente zero, tendo em conta as margens de erro que qualquer previsão tem.

Em 2007, o crescimento previsto de 1,8% é também perfeitamente alcançável. Contudo, tendo em conta o quanto o PIB caiu em 2003 e a lentidão que a economia portuguesa tem demonstrado em recuperar, exigia-se mais. Bem mais do que apenas 1,8%. Sobretudo quando se defende que o Orçamento está virado para o crescimento.

Quanto ao cenário para a inflação, já algo foi avançado anteriormente. Tendo em conta a recente revisão do IPC, algo fora de comum e por certo com razões objectivas e relevantes para que tal tenha acontecido, a previsão de 2,5% para 2006 é absolutamente inalcançável. Muito se pode especular e dificilmente algo se poderá confirmar sobre a forma como tudo decorreu: foi o Ministério das Finanças avisado antecipadamente da revisão ou não? Se foi, por que razão não reviu o cenário?

Uma coisa podemos estar certos: isto não é inócuo no Orçamento de Estado para 2007. A previsão de inflação para 2006 afecta directamente a previsão para 2007. Tendo em conta que há um conjunto alargado de rúbricas cuja actualização é efectuada com recurso ao IPC (actualização de escalões no IRS e noutros impostos; referência para a acatualização salarial na função pública; etc), podemos desde logo concluir que os cálculos implícitos no OE2007 para essas rúbricas estão, pura e simplemente, desactualizados (para não dizer errados).

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Apresentação do Orçamento de Estado para 2007

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Ontem ao final da tarde foi entregue ao Presidente da Assembleia da República a proposta de Orçamento de Estado para 2007 pelo Ministro das Finanças. Foi também colocado no página da DGO o Relatório do Orçamento de Estado para 2007, tendo surgido desde então diversas notícias sobre as linhas mestras do orçamento e as medidas de contenção de despesa.

É ainda cedo para termos uma leitura profunda do OE2007, mas alguns pontos-chave é já possível identificar (alguns têm sido veiculados pela comunicação social):

  • Revisão em alta do cenário de crescimento do PIB em 2006 para 1,4% e manutenção do crescimento de 1,8% em 2007 (face às últimas previsões do Ministérios da Finanças)

  • Taxa de inflação de 2,5% em 2006 e de 2,1% em 2007

  • Taxa de desemprego de 7,6% em 2006 e de 7,5% em 2007

  • Défice das Administrações Públicas fixa-se em 3,7% do PIB em 2007

  • Diminuição do peso da despesa corrente em 0,7p.p. do PIB, embora registe um crescimento de 2,9%

  • Redução de 3% da FBCF (atenção: líquida de alienações) e de 0,9% nas despesas com pessoal

As primeiras reacções a este OE2007 são as esperadas. Oposição e sindicatos manifestaram o seu desagrado, enquanto que empresários e analistas económicos se congratularam com a linha demonstrada pelo governo com este OE2007.

Mas afinal é um bom ou um mau Orçamento de Estado? Mais novidades para daqui a pouco.

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