A próxima depressão: Quais os melhores investimentos para períodos de estagflação?

Em períodos de estagflação, a bolha está nas matérias-primas.

Para sair do «crash» bolsista do ano 2000, os bancos centrais aumentaram a oferta monetária, cortaram as taxas de juro para os mínimos das últimas décadas, colocando-as abaixo da taxa de inflação e da taxa de crescimento económico. Tudo isto para estimular a economia. Novamente foi gerada uma bolha no imobiliário e as bolsas recuperaram.

Agora os banqueiros centrais estão preocupados com a inflação. Foram eles que a criaram. Muitas pessoas contraíram empréstimos que não podem pagar, com taxas de juro artificialmente baixas. Agora começam a sofrer as consequências.

Segundo o economista John Williams, da Shadow Government Statistics, nos EUA, a inflação está a tocar nos 11%, muito acima do que é anunciado. Isto significa que a economia americana já está em recessão. Todos os consumidores sabem por experiência própria que os preços estão a subir anualmente muito acima dos 2% ou 3% oficialmente anunciados. Os bancos centrais vão ter de subir as taxas de juro antes que os preços se descontrolem completamente.

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Quando o cliente não é o melhor activo bancário

22 July, 2008 by António Dias · 10 comentários
Arquivado em: Dinheiros, Instituições Financ. 

Há dias o Rui citava aqui um texto sobre o cliente como melhor activo bancário. Quase ao mesmo tempo o Pedro Rebelo relatava com angustiante minúcia a fraude com o seu cartão do Barclays e a (falta) de serviço do seu banco de anos:

À chegada, está um único Cliente na agência e nenhum dos colaboradores se encontra ao telefone. Não entendo porque ninguém me telefona tendo em consideração os vários pedidos de contacto urgente.

A saga continua aqui e aqui, até ao momento, decorridos quase dois meses após o primeiro contacto, não há notícias de qualquer decisão do banco para resolver o problema do seu cliente ou sequer de “serviço” digno desse nome.

O que o Barclays talvez não saiba ainda é que um (bom) cliente poderá criar um passivo para a instituição: na era dos media sociais um cliente individual pode levantar a voz, ampliado por outros e ser ouvido por muitos.

Será exagero considerar que alguém deve deixar de ser cliente do Barclays por causa desta série de falhas do banco: todos os bancos têm deficiências nos seus serviços e falhas na forma como gerem os seus “melhores activos”.
Todavia, é legítimo considerar que entre as centenas de leitores que acompanharam os relatos do Pedro alguns pensarão duas vezes antes de se tornarem clientes do Barclays Bank e poderão optar por outro banco em virtude desta experiência partilhada.

As perdas mais sérias poderão estar nos resultados do Google: muitos poderão chegar aos artigos através dos resultados do Google, se entretanto o banco não recorrer a serviços de search engine optimization para gerir a sua reputação online e limitar os danos.
Os relatos do Pedro, bem escritos, credíveis, extremamente críticos e ao mesmo tempo equilibrados, do “seu” banco são puro veneno para quem, indeciso, digita no Google o nome do banco. O facto de o Pedro trabalhar para um banco concorrente não lhe retira credibilidade alguma, acrescenta-lhe.

António Dias

IRS: menos retenção mensal, menos reembolso em 2009 (Act. 20 JAN2009)

11 January, 2008 by António Dias · 46 comentários
Arquivado em: Dinheiros, Política Fiscal 

Economia IFaçamos então um ponto da situação quanto ao IRS 2008/2009  [As tabelas para 2009 estão disponíveis aqui (2ª página)]        [As tabelas de 2008 estão disponíveis]:

Progressivamente, ano após ano, o Estado tem vindo a diminuir o valor a reter mensalmente a cada contribuinte em sede de IRS através de uma actualização dos intervalos das tabelas acima do aumento de referência previsto para os salários.

Este ano, as tabelas de IRS foram actualizadas em quase 4%, enquanto o aumento de referência no Estado será de cerca de metade, 2,1%. É por isso que quase todos os que receberem um aumento abaixo dos 4% verificarão que o rendimento líquido no fim do mês será incrementado acima do aumento salarial: ao aumento salarial haverá a juntar a redução do IRS. A taxa de imposto anual (a que é usada no apuramento do IRS a pagar aquando do acerto de contas via declaração de rendimentos) sofrerá contudo uma actualziação de 2,1% pelo que, na prática, não há redução de imposto, apenas se diminuirá o montante que é arrecadado mensalmente pelo Estado e que tantas vezes este teria de devolver via reembolso, largos meses após o ter recolhido. Pessoalmente prefiro não receber reembolso anual e ter o dinheiro disponível no fim do mês.

Para os funcionários públicos (os tais com aumento de 2,1%) é até possível que ocorra uma descida para o escalão inferior, tal é a diferença entre a actualização salarial e a actualização das tabelas, o que levará a que o IRS possa descer 1,5 pontos percentuais. Infelizmente para muitos, o mês de Janeiro será também o mês em que aqueles que descontavam apenas 10% para o seu sistema de segurança social, “apanhará” a taxa do regime geral, 11%, pelo que o líquido no fim do mês, poderá ficar quase na mesma.