Não ter filhos condiciona crescimento económico?
Comparar economia distintas, nomedamente quando temos perfis demográficos radicalmente diferentes, num caso envelhecimento acelerado, noutros ainda um forte crescimento populacional, é o mesmo que comparar alhos com bugalhos. Olhar para as tendências demográficas é assim determinante para prever a evolução futura mas deverá sê-lo essencialmente para a projectar no sentido de agir, adaptar.
Temos muitos desafios pela frente à conta do envelhecimento (em particular por este ameaçar ser acelerado). A Europa e o Japão estão a ser os primeiros a enfrentá-los, mas outros se lhe juntarão paulatinamente à medida que o momentum demográfico se reduzir e as taxas de natalidade recuarem (na China e na América Latina, por exemplo). Via Direito & Economia chegámos a uma peça recente sobre este assunto no The Wall Street Journal (em inglês) que recomendamos: “The Demographics Driving Nations’ Wealth“. Um excerto:
“Demography is not destiny. In 1300, China was bigger than Europe and had the world’s most sophisticated technology. But China blew it. By 1850, its population was 65% larger than Europe’s, but—thanks to the Industrial Revolution—Europeans were far richer.
Yet demography does matter. “We never pay enough attention to demography because it’s so long term,” says Dominique Strauss-Kahn, head of the International Monetary Fund. So turn for a moment from angst about the disappointing pace of the economic recovery and daunting government budget deficits, and look over the horizon. (…)”
Comércio Internacional mantem boas indicações em 2010
Arquivado em: Comércio Internacio., Economia Nacional, Números Estatística
Com a divulgação pelo INE das estatísticas do Comércio Internacional, relativas ao trimestre terminado em Junho, reforçaram-se as indicações positivas que vinham sendo apuradas nos meses anteriores. As exportações portuguesas continuam a crescer acima dos dois dígitos quando se efectuam comparações homólogas e, embora as importações estejam igualmente a forte retoma, as primeiras continuam a crescer a um ritmo mais acelerado.
O destaque particular vai para o comércio com países da União Europeia uma vez que se vêm registando taxas de cobertura crescentes.
Com países extra-comunitários (onde predominam as trocas relativas a produtos energéticos) o sentido da evolução tem sido o oposto, tendo-se degradado significativamente a nossa baçança comercial. Note-se ainda que, excluindo os produtos energéticos, a situação no trimestre em análise piorou face a 2009 tendo a taxa de cobertura passado de 106,0% para 100,5%.
Olhando para a globalidade das nossas trocas comerciais a evolução face a 2009 é, ainda assim, positiva. Em igual período de 2009 vendiamos 63,1€ de exportações por cada 100 euros que importávamos. No trimestre de 2010 em análise a situação passou para 64,3€ de exportações por cada 100€ de importações.
Empresa desespera por mão-de-obra em região com taxa de desemprego acima dos 14%
Não é todos os dias que se encontram notícias como esta que se lê na Agência Financeira: “Empresa portuguesa tem dificuldades em contratar trabalhadores“. Em traços gerais, o que se relata é a experiência de uma empresa em franco crescimento e com necessidades de pessoal que afirma não conseguir cativar o número suficiente de funcionários de entre os potencialmente disponiveis na região por conta, segundo o responsável da empresa, de uma espécie de concorrência desleal promovida pelos cursos de formação profissional. Citando a peça:
“[Carlos Aquino, responsável pela empresa afirma que:]«as pessoas preferem estar nesses programas a ter um emprego, neste momento podemos dizer que estamos com falta de mão de obra».
Segundo o empresário «as pessoas desta região não têm uma cultura industrial e, por exemplo, não querem trabalhar por turnos», disse à Lusa, o que faz «com que o retorno do investimento seja muito mais demorado».”
É realmente um caso que deve fazer pensar um pouco mas que deixa desde logo um certo desconforto quanto à própria notícia. Não haveria aqui matéria para os jornalistas irem mais longe? Por exemplo, inquirindo sobre os salários oferecidos, as condições propostas e a recolha de testemunhos entre quem poderia aceitar o emprego mas o recusa?
A opinião do empresário, a ser fiel à realidade, facilmente encontraria comprovação mais robusta após uma breve investigação no local. Infelizmente, a peça da Agência Financeira não “desce” a esse pormenor. Fica o repto para que se perceba com maior propriedade os factores que desencadeiam este paradoxo. Em suma, para reflectir, duplamente.
Quem tem medo de arrendar casa?
Arquivado em: Dinheiros, Economia Nacional, Mercados, Política Económica, Sociedade
Segundo o Público, citando um estudo da Confederação da Construção e do Imobiliário, há hoje mais de um milhão de casas alugadas ou disponíveis para aluguer em Portugal, cerca de 20% das habitações do país.
A dificuldade crescente em adquirir casa por parte dos portugueses parece ser a principal razão para o forte crescimento deste segmento do mercado imobiliário. Com obstáculos adicionais e crescente à concessão de crédito a muitas famílias, torna-se difícil encontrar alojamento para quem procura e difícil de vender para quem quer vender o um imóvel.
Sendo certo que arrendar casa continua a ser um negócio de alto risco para ambas as partes, a necessidade parece estar a levar a que muitos considerem que o risco de caírem num conto do vigário é hoje suportável face ao prejuízo de não conseguir extrair rendimento algum de um imóvel que viu os seus encargos aumentarem na generalidade dos casos por via fiscal nos últimos anos.
Comprar carro usado: experimentar antes de comprar
O Diário Económico resolveu compilar um conjunto de lembretes úteis sobre cuidados a ter que o podem auxiliar na compra de carros usados.
São mais baratos, com oferta quase infinita para todos os gostos e, provavelmente, com diversidade ao nível da qualidade a condizer.
Por muito que custe ao comprador, a probabilidade de estar perante um achado, um carrinho ultra-estimado, com poucos quilómetros, que raramente passou uma noite ao relento, é muito baixa pelo que, mais do que a história, o ideal é comprovar. Vale a pena ter em mente estas dicas. Nós por cá gostámos em particular da última: nunca compre se não o deixarem experimentar. Não é condição suficiente para evitar o barrete, mas deve ser condição necessária. Bons negócios!
Jornal de Negócios: a diferença que uma arrumação faz
Como leitor, nunca entendi o problema tecnológico do Jornal de Negócios. Uma publicação que apostava quase tudo no online mas que teve durante alguns anos um sítio lentíssimo, que emperrava ao primeiro sinal de tráfego e que tinha uma apresentação gráfica confusa, incoerante sendo nos últimos tempos uma manta de retalhos dificil de digerir, particularmente a página principal.
Hoje a cacofonia levou um grande rombo e a publicação apresenta um novo desenho e estruturação de conteúdos. Os problemas de lentidão de acesso ao sítio parecem há muito ultrapassados mas agora, entrando no Negócios, este até parece o jornal que os seus conteúdos consolidaram. Na realidade, o Negócio é um caso raro em que o aspecto não revelava a riqueza interior. Creio que está agora aberta a porta para que os looks deixem de ser um estorvo passando a ser um acréscimo de valor.
Da experiência que temos parece-nos que há ainda margem para algumas melhorias, daquelas que nos iriam roubar clientes aqui ao nosso modesto tasco, mas isso já são outros quinhentos, e pela amostra que temos tido nos últimos meses anda (finalmente) gente alerta para esse facto por lá.
Continuação do bom trabalho. Por falar nisso, parabéns às Elisabetes pelo prémio que ganho!
Temos 3 milhões de visitantes únicos no bolso. E agora?
Em menos de 4 anos recebemos 3 milhões de visitantes únicos, um terço do quais nos últimos seis meses mas não, não temos nenhum visitante no bolso. O título é uma desmontagem da seriedade talvez excessiva que por aqui reina habitualmente.
Esta página que lêem é um blogue, feito por (muito poucas) pessoas que seguem o princípio de escrever aqui uma parte do que também gostariam de ler em termos informativos. Só mantendo fidelidade a este princípio hedonista se consegue sustentar esta actividade amadora durante quase 4 anos. Por vezes há opinião, muitas outras aquilo que se pode chamar de jornalismo sem carteira ou de cidadão, episodicamente haverá ainda algum disparate como o do título, com o propósito já sublinhado.
A simples tarefa de procurar divulgar as respostas e a informação que nos parece útil, é quanto baste para ser uma fórmula de sucesso à escala de um blogue. Desde que surgimos, vimos nascer dezenas de sítios igualmente amadores na internet, a seguirem um percurso paralelo ao nosso ou mesmo mimético, e vimos tanto o Jornal de Negócios como o Diário Económico (os dois órgãos de informação diária especializados em Economia & Finanças em Portugal) criarem os respectivos guias do investidor ou de finanças pessoais, reagindo assim a esse nicho de interesse (com potencial económico inegável) que andava um pouco desleixado e entregue aos amadores e amantes do jornalismo de cidadão.
