Transportes e Produtos Alimentares Levam Inflação para Máximos de 4 anos

É preciso recuar até dezembro de 2012 para encontrar uma taxa de variação homóloga no Índice de Preços do Consumidor superior à registada em fevereiro de 2017. Na altura, os preços haviam aumentado 2,1%, agora subiram 1,6% (1,3% em janeiro de 2017).

A evolução registada tem, contudo, duas classes de despesa que justificam grande parte do aumento dos preços: os custos com a energia refletidos das despesas de transportes e os custos com produtos alimentares não transformados. Eliminando estas duas classes das contas e recalculando a taxa de variação homóloga (da inflação subjacente) chegamos a um incremento de apenas 0,6%, superior em 0,1 pontos percentuais à registada em janeiro.

A taxa de inflação propriamente dita (variação média anual dos últimos 12 meses) fixou-se nos 0,7%, mantendo-se estável face ao mês de janeiro.

Transportes e Produtos Alimentares Levam Inflação para Máximos de 4 anos
Transportes e Produtos Alimentares Levam Inflação para Máximos de 4 anos
Fonte: INE

Os preços do petróleo e o peso do custo do transporte entre o produtos e consumidor na estrutura de preços dos produtos alimentares não transformados são assim os grande móbeis do aumento de preços, não se transmitindo de forma notória para as restantes classes de despesa, pelo menso para já.

Em suma, a inflação sobe mas de forma muito assimétrica no conjunto de bens que compõem o cabaz de compras familiar.

De facto, ao mesmo tempo em que os “Transportes” veem os preços disparar, as despesas com “Vestuário”, “Acessórios, equipamento domésticos e manutenção corrente da habitação” e ainda de “Saúde” estão em queda face a fevereiro de 2016. Já os preços com “Habitação, água, eletricidade gás e outros combustíveis” estão praticamente estão praticamente congelados.

Note-se que esta evolução é consistente com o que está a acontecer no conjunto da União Europeia e, para já, não é suficiente para o Banco Central Europeu admitir que o cenário de preços deprimidos está afastado. Por enquanto, o facto da inflação estar muito localizada nos combustíveis, não irá patrocinar qualquer alteração na política monetária do BCE, fazendo fé nas declarações do respetivo governador, veiculadas a 9 de março de 2017, em conferência de imprensa.

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