Exportações em máximos de julho de 2015 mas balança comercial degrada-se

Exportações em máximos de julho de 2015 após se conhecerem os dados de novembro de 2016. É preciso recuar a julho de 2015 para encontrar um crescimento mais elevado das exportações de bens portuguesas. Em novembro de 2016 as exportações cresceram 7,6% face a igual mês do ano anterior (tinha caído 3,5% em outubro).

Segundo as Estatísticas do Comércio Internacional do INE este crescimento foi sustentado por uma aumento das exportações em todas as grandes categorias de produtos, merecendo maior destaque os Produtos alimentares e bebidas (+14,4%) e as Máquinas e outros bens de capital (+12,4%).

Por outro lado, o ritmo de crescimento das exportações foi especialmente elevado no comércio para países externos à União Europeia. De facto, o comércio extracomunitário aumentou a um ritmo de 16,6% acelerando muito significativamente dado que no mês anterior, a variação homólogo havia sido negativa (-2,5%).

As exportações para países da União Europeia aumentou de forma mais modesta, 4,6%, ainda assim também em franca aceleração (-3,9% em outubro).

A desvalorização do euro não deverá ser alheia a este maior dinamismo das exportações portugueses que por esse via tem ganho competitividade, em especial, para destinos fora da zona euro.

Quanto às importações acompanharam igualmente o andamento registando uma forte aceleração, superior inclusive à das exportações. Na realidade as importações aumentaram 8,4% (-1,8% em outubro de 2016), neste caso mais à conta da aceleração das importações Intra-UE que cresceram 11,7% (-0,5% em outubro de 2016) As importações Extra-UE registaram inclusive uma queda -3,0%. A importações de veículos de transporte de passageiros (vulto automóveis) contribuíram de forma relevante para este comportamento das importações, provavelmente reagindo a alguma antecipação de aquisição de automóveis antes da entrada em vigor do Orçamento do Estado para 2017 que impôs novo aumento de impostos sobre a aquisição de veículos a partir de janeiro de 2017.

Em termos globais, o maior dinamismo no comércio internacional com as importações a superarem as exportações em ritmo de crescimento provocou uma degradação da balança comercial com a taxa de cobertura das importações pelas exportações a degradar-se quando se compara estritamente o mês de novembro de 2015 com novembro de 2016. Se alargarmos a comparação ao trimestre terminado em novembro como faz o INE a taxa de cobertura melhorou marginalmente, aumentando de 83,4% para 83,9%.

Quando forem conhecidos os dados de dezembro ficar-se-á a saber se o comércio de bens apresentará um contributo global positivo ou negativo para o andamento instantâneo da economia nacional no último trimestre de 2016.

Na sua nota à imprensa o INE destaca ainda que os termos de troca (preço relativo das exportações em termos das importações) se estão a degradar e avança com alguns detalhes adicionais quanto aos destinos e origens de comércio que a seguir reproduzimos:

Tendo em conta os principais países de destino em 2015, em novembro de 2016 apenas as exportações para os Países Baixos e Estados Unidos diminuíram em comparação com o mesmo mês de 2015 (-10,6% e -3,6%, respetivamente), tendo as exportações para Espanha, Alemanha e Angola sido as que mais aumentaram. Nas importações, no âmbito dos maiores países fornecedores em 2015, em novembro de 2016 apenas três países registaram reduções face ao mês homólogo de 2015: Estados Unidos (-10,4%), Reino Unido (-1,2%) e Angola (-0,8%). Os restantes países registaram aumentos, com maior destaque para os Intra-UE, principalmente Espanha e Alemanha.

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