Mercado Imobiliário: Faz o que eu digo…
A FED ( Banco Central dos EUA) e o Departamento do Tesouro já tem na calha um programa de estabilização da situação financeira das duas empresas responsáveis pela maior fatia de crédito à Habitação nos EUA. Tanto a FED quanto o Tesouro estarão a cumprir o seu mandato, garantindo, entre outros, o bom funcionamento do sistema financeiro, mas não deixa de ser chocante ver este tipo de intervenção ter lugar na terra do liberalismo económico.
O mercado, deixado às suas leis, trataria de arranjar um novo equilibrio, provavelmente levando estas duas empresas à falência e levando de arrasto, quem sabe, todo o sistema financeiro – assim se quebrasse o fundamental de confiança que sustenta esse mesmo sistema. Talvez por este risco ser hoje mais do que uma hipótese académica, a FED está na disposição de deitar para o lixo, pelo menos temporariamente, a cartilha liberal, não permitindo que o mercado funcione livremente. Os accionistas das duas empresas em causa provavelmente perderão na mesma quase todo o seu investimento (particularmente se se confirmar a nacionalização das empresas) mas os danos serão contidos por aí, não alastrando aos credores e instituições que directa ou indirectamente têm capital garantido por via dos imóveis hipotecados junto das referidas empresas especializadas em crédito à habitação.
Ironicamente é com estes exemplos anti-liberais (como o do Northen Rock) que a cassete da extrema esquerda ganha mais argumentos quando se pensa na acusação de imperialismo que tantas vezes imputam aos EUA. É caso para dizer que se cumpre o provérbio “faz o que eu digo, não faças o que eu faço”.
Se dúvidas havia, aqui fica mais um forte indício que o provérbio que mais convém é o que defende um mundo de equilíbrios sucessivos numa interacção entre o automatismo liberal do mercado e a regulação e intervenção avisada e atenta do poder legislativo e executivo de cada nação e destas a nível global. Nem tão liberal, nem tão intervencionista. Fiquemo-nos pelo também muito popular: nem tanto ao mar, nem tanto à terra. O sarilho é descobrir a exacta medida. Não será essa é a verdadeira utopia que move não só economistas mas também políticos e demais curiosos?
A ler também :”INTERVENCIONISMO DISFARÇADO” de Álvaro Santos Pereira.
Rui Cerdeira Branco
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