Vem aí o Orçamento de Estado 2008
Arquivado em: Economia Nacional, Opinião, Política Económica
Ainda que a apresentação pública venha a ocorrer apenas daqui a cerca de três semanas muito provavemente começarão a pingar na imprensa algumas das medidas preconizadas no próximo Orçamento de Estado. Será o último Orçamento a cumprir na íntegra pelo actual governo em funções e, consequentemente, o único porque responderá integralmente ainda em funções.
Num momento de turbulência económica e financeira à escala internacional em que o actual perfil de (lenta) recuperação da economia nacional está em causa (o comércio externo), este será o momento para as últimas expectativas, para as últimas surpresas, para um papel activo e determinado por parte do Governo.
Haverá alguma coragem para assumir uma política mais clara do que a de gestão corrente? Explicando: perante a morosidade dos efeitos e mesmo das decisões quanto ao âmbito e papel do Estado (vulgo "Reformas"), e perante a ausência ou insipiência de qualquer outra dimensão de acção orçamental (sobram medidas avulsas mais para encher manchetes do que para mexer no país), têm-se destacado na acção governativa a capacidade de captar receitas e de, muito provavelmente, alcançar uma maior justiça e equidade fiscal pelo lado das cobranças. Latente no horizonte está ainda a tomada de decisão relativa a projectos de investimento público extremamente vultuosos. Será por aí que se apostará para reforçar de forma quase directa aquele número mágico que responde por três letras?
O tempo passa e a sensação que fica é a de que se está à espera para ver, enquanto alguns ministros brincam às mercearias numa lógica de navegação à vista, tendo no défice orçamental a única grande razão de ser e de aparecer. O défice é uma aposta que se desejava desde o início por ser determinante, mas que há demasiados anos se apresenta como exclusiva e prioritária. Um cenário que só por si complica as incontornáveis soluções. O défice nunca foi um passo para se fazer algo, vai sendo um fim em si, sem que ninguém se atreva a apresentar o que fará no dia em que ele esteja controlado.
No mapa das prioridades do actual governo esperar-se-ia mais qualquer coisa com visibilidade e resultados mensuráveis ao longo da legislatura. Até agora, o que retenho é uma sensação em crescendo de que o governo excepcional de que precisávamos para enfrentar um desafio excepcional, está na iminência de ficar demasiado longe do necessário ainda que bem perto da boca de cena onde se montam os espectáculos que distraem o povo por uns dias.
Este parece-me ser um daqueles momentos em que o Governo pode ainda ter um papel determinante na economia. Chegou a última hora que determinará a avaliação final, com consequências duradoras nos próximos anos de vida política e económica nacional.
(Regresso em meados de Outubro)
Bolsas de valores e empresas
Acabei de criar um novo espaço na área de fóruns, trata-se do Bolsas de valores e empresas um espaço para "Notícias e comentários – desmontando boatos, cuidando do que interessa".
A promessa já estava feita e a ideia era lançar o espaço depois de um período de férias que vou ter em breve mas, a pedido de várias famílias – pedidos directos e indirectos com novos tópicos a surgirem em fóruns só indirectamente relacionado com os mercados financeiros e mobiliários em geral – e acreditando nalguma capacidade de auto-regulação e moderação dos potenciais participantes, decidi deixar o espaço disponível a partir de hoje. Lá mais para meio do próximo mês conto moderá-lo e dar os meus contributos.
Entretanto, o número de membros inscritos nos fóruns ronda as 50 inscrições e o número de visitas que os conteúdos por lá existentes têm gerado superou de forma abismal as minhas expectativas. Digamos que o Economia & Finanças cresceu quase 50% em termos de page views.
Definitivamente é um espaço a manter!
Espanha: Uma ajuda aos jovens e uma escapatória para evitar males maiores no imobiliário?
Arquivado em: Dinheiros, Economia Internacio., Mercados, Política Económica
Deixem-me pensar um bocadinho em voz alta e sem qualquer objectivo moralizador.
Segundo leio no Jornal de Negócios, o governo espanhol aprovou hoje uma medida que passa por apoior os jovens com idades compreendidas entre os 22 e os 30 anos com rendimentos anuais inferiores a 22 mil euros e que queiram arrendar uma casa. A ajuda prolongar-se-á por quarto anos e será de 210€ mensais sendo que haverá ainda um apoio isolado para ajudar no processo de pagamento da fiança. O objectivo diz, o governo espanhol é o de: "promover a emancipação dos jovens e uma mais rápida saída da casa dos pais."
É dificil avaliar até que ponto esta medida terá impacto, qual o universo de pessoas que abrangerá e que efeito terá nos hábitos de vida, na felicidade dos abrangidos e, já agora na crise do mercado imobiliário. Numa conjuntura de quebra do preço da habitação, em que com o passar do tempo se verifica uma desvalorização da propriedade e em que se torna cada vez mais difícil vender a dita cuja (por exemplo, por falta de compradores que não têm capacidade de contrair um empréstimo que está cada vez mais caro) o aparecimento de umas, digamos, largas dezenas de milhares de casais que passam a poder arrendar uma casa própria pode ou não fazer diferença no espírito depressivo que tem vindo a arrastar o mercado imobiliário para uma crise potencialmente nunca vista em terras Espanholas?
Se assim for, se, num cenário de crise generalizada do imobiliário, houver um alastramento do efeito directo para o foro da confiança (com moderação, naturalmente) será caso para dizer: felizes dos países que têm um Estado endinheirado e um bom "stock" de gente ansiosa por sair de casa dos pais?
Talvez os nossos amigos Ladrões de Bicicletas se possam pronunciar sobre esta medida. Que me dizem?
É bom, não foi?
Arquivado em: Economia Internacio., Mercados
"(…) As bolsas estão bipolares, sobre-reagindo à notícias pessimistas e optimistas. E, sim, podemos esperar travagem da economia europeia. Sim, o crescimento pode cair e no Orçamento do Estado para 2008 contaremos com mais investimento público para compensar menos consumo, menos receitas fiscais, corda na garganta dos aumentos salariais. Mas o que mais custa é ouvir os ministros europeus dizerem que o período do "boom" económico acabou. Você sentiu-o?"
Pedro S. Guerreiro in Jornal de Negócios.
Hachette Portugal fecha
Por razões profissionais passei uns tempinhos na sede nacional da Hacchete Filipacchi em Portugal (perto da Embaixada de Israel). Foi uma de várias experiências engraçadas junto de empresas de media e publicidade (um meio sempre pleno de relações comerciais torridas e de grande convulsão …er…novelesca) que tive no início da carreira.
Neste caso, além do ambiente familiar e pseudo-chique com-piquinhos-brega (sem malícia, sem malícia) recordo o choque da ingenuidade (da minha): algumas das publicações "resumiam-se" a traduções e inserções publicitárias pontuadas pelo trabalho de alguns heróicos editores nacionais geralmente com pouca margem de manobra para grande voos jornalísticos. Ou melhor, eram por vezes repositórios de publicidade com alguns artigos à mistura, quase sempre embrulhados e editados em bom papel. Artigos editoriais que procuravam e muitas vezes conseguiam ser fashion, fazer fashion, carregados de estilo e de imagem belíssimas. Uma formula presente em algumas das publicações que não em todas, sublinhe-se, mas que continua a ter sucesso. De então para cá outros títulos surgiram como a Premiere e a concorrência intensificou-se ainda mais.
Recordo ainda como a moda dos brindes e das ofertas ganhou uma sofisticação junto destas revistas (particularmente as mais dirigidas ao público feminino) que só anos depois haveriamos de ver na imprensa nacional. Hoje fico a maturar porque é que não haverá revistas como a Elle e a Ragazza ou mesmo a Casa e a Cozinha Dez inteiramente gratuitas (é a moda do momento, afinal), mas depressa encontro um ror de explicações do foro psicológico e uma ou outra de nível financeiro.
Hoje, via Meios & Publicidade, tenho a confirmação de que chegou a altura do desinvestimento para a H&P: "Encerramento da Hachette Portugal dita fim da Premiere, Casa e Cozinha Dez". Provavelmente, o mercado e o negócio internacional ditaram o caminho. Sobrevivem as marcas, ou melhor duas marcas: a Elle e a Ragazza. Um ciclo que termina, uma história que se repete.
Fóruns Economia & Finanças – nova funcionalidade
Desde ontem encontram-se disponíveis vários fóruns sobre os temas que foram ganhando relevância em termos de inter-actividade aqui no Economia & Finanças. A ideia para lançar mais esta funcionalidade havia já sido ponderada internamente mas foi o surgimento da sugestão nas caixas de comentários que acabou por ser decisiva para concretizarmos a ideia. O Paulo Querido teve uma vez mais um papel fundamental no apoio técnico e permitiu que em menos de 24 horas a decisão se transformasse em realização (ainda que preliminar
). Os conteúdos iniciais e a gestão do projecto fica para já a meu cargo, podendo vir a ser partilhada por mais elementos da equipa do Economia & Finanças e pelos participantes que venham a demonstrar mais interesse em auxiliarem na sempre importante moderação.Para já e recorrendo às sugestões e interesses dos leitores que por aqui têm passado ao longo do último ano (estamos a escassos dias do primeiro aniversário) temos como temas, o reembolso de IRS, o abono de família (com detalhes para o apoio pré-natal e para a majoração do abono), os depósitos a prazo e a actualização das rendas. EM breve teremos ainda um fórum sobre as bolsas de valores com particular enfoque na Euronext Lisboa (em princípio lá para meados de Outubro). Há assim já vários fóruns/tópicos activos com informação disponível como sejam:
– Reembolso IRS 2007
- Abono de Família Pré-natal
- FAQ sobre o abono de família pré-natal
- Majoração do Abono de Família
- FAQ sobre a majoração do abono de família
- Abono de família
- FAQ sobre o abono de família
- Abono de família e pré-natal – valores relativos a 2007
- Qual é o melhor depósito a prazo neste momento?
- Actualização das rendas 2007
- Actualização das rendas 2008
Há ainda um espaço para "Informação geral sobre os fóruns, críticas e sugestões".
O objectivo primário é disponibilizar de forma sintética e acessível, permanentemente actualizada, a informação disponível sobre cada tema. Se é verdade que o formato blogue permite dar o destaque no momento, a informação vai ficando dispersa e para temas que geram com frequência dúvidas e troca de impressões e de experiências entre os leitores e editores, o formato de um post com os seus comentários vai-se tronando pouco prático. Os fóruns permitem centralizar essa informação (das referências legislativas, às experiências pessoais) maximizando-se assim a utilidade dos dados recolhidos ao serem colocados de forma organizada e mais visível ao leitor que aqui chegue.
O espaço fica disponível, haverá algum contributo de gestão, alguma da informação trocada nos quase 2000 comentários que já leva este sítio foi e será para lá vertida, os temas poderão ser alargados, mas o essencial de cada fórum passará pelos participantes. Procure informação, ofereça a que tem disponível e todos ficaremos a ganhar. E é tudo, espero que seja útil. Participe.
Actualização das Rendas para 2008
Arquivado em: Dinheiros, Legislação, Números Estatística
O valor ainda não foi oficialmente publicado, mas sabe-se de ante-mão que corresponde à taxa de variação média anual do Indice de Preços no Consumidor apurada no mês de Agosto do ano anterior pelo Instituto Nacional de Estatística.
Essa taxa já foi divulgada e é de 2,5% logo, ainda que oficiosamente, o coeficiente de actualização das rendas durante o próximo ano deverá ser de 1,025.
Para rendas a actualizar durante o remanescente do ano 2007 continua a vigorar o coeficiente de 1,031.
Assim que houver confirmação oficial dela aqui daremos notícias.
ADENDA (10 de Outubro de 2007): Já é oficial, como podem ler aqui, o coeficiente para 2008 é de 1,025.
ADENDA (Setembro de 2008): Se procura o coeficiente de actualização para 2009 procure aqui.
Poder de Compra Concelhio com base em dados de 2005
Arquivado em: Economia Nacional, Números Estatística, Política Económica
O estudo anual sobre o Poder de Compra Concelhio feito no INE é já um trabalho com pregaminhos, sendo também um dos raros exemplos de análise exploratória de dados de alto nível e multidimensional elaborados nessa casa. Por ali faz-se análise económica ao nível exploratório com interesse relevante para o país. É também um dos trabalhos que mais reacções apaixonadas tem gerado ao longo dos anos, ainda que raramente estas se baseiem em contributos para o enriquecimento tecnico-analítico.
Nas minhas aventuras mestrandas construi uma base de dados com objectivos mais ambiciosos e, como qualquer investigador ou aprendiz de investigador que se preze, acho que cheguei a uma metodologia mais enquiquecedora de tratamento de dados com objectivos parcialmente partilhados com os do Poder de Compra Concelhio (ainda que este seja mais especializado). Isto recorrendo igualmente a dados gratuitos fornecidos on-line pelo INE. Havendo tempo (sempre uma enorme restrição) tentarei no futuro actualizar esse estudo e dar-lhe outro tipo de projecção, quem sabe também por aqui, em capítulos digeríveis.
Feito o à parte pessoal, fica a nota e a recomendação para mais uma publicação anual do Poder de Compra Concelhio (dados de 2005) que o INE continua, felizmente, a patrocinar. É sempre uma leitura a não perder.
Preços do petróleo, um problema de contas
Arquivado em: Dinheiros, Economia Internacio., Economia Nacional, Números Estatística
Ontem escrevi que o preço médio do petróleo (Brent e WTI) está claramente abaixo em 2007 quando comparado com o preço médio de igual período do ano anterior, concretamente: o preço médio do Brent medido em Euros caiu 8,7% face a igual periodo de 2006 e o do WTI caiu 12,2%.
Hoje leio no Jornal de Negócios (JNeg) que:
" (…) nas bolsas os combustíveis já subiram mais de 20% este ano para valores recorde, nas bombas abastecer o carro ficou 7% mais caro e também é de esperar preços máximos.(…)"
Como é esta divergência possível? As contas que surgem no JNeg comparam dois ponto no tempo, os preços de ontem ou de ante-ontem com o valor do último dia de transacção em 2006. Pelo menos é o que me parece pois as contas assim feitas batem certo com a base de dados a que recorri (EIA e BdP).
O problema com as fotografias é conhecido, tipicamente são mais pobres que os filmes quando o objectivo é contar uma história. Quando calculamos uma média vemos o filme que mesmo assim terá os seus problemas – a fila na sala em que o vemos altera a percepção que dele temos, por exemplo. Quando comparamos pontos, só olhamos para um fotograma. Contudo, as duas coisas são compatíveis, convém é termos a percepção que agitar uma fotografia à frente dos olhos não é o mesmo que estar a olhar para um filme. Assim sendo, não temos problema absolutamente nenhum.
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Até mesmo o aumento dos combustíveis (aparentemente muito abaixo do aumento das matérias primas) referido na notícia tem a sua lógica. Mais uma vez estaremos a comparar o preço dos combustíveis de hoje com o registado em 31 de Dezembro de 2006. Contudo, sendo os preços que vemos nas bombas formados por médias de curto prazo (algo como o valor médio das últimas semanas nos mercados internacionais) é natural que não transmitam variações tão extremadas determinadas tendo por base a comparação entre apenas dois dias que terá sido o que foi feito para chegar aos 20% de aumento quanto aos preços das matérias primas. Ou seja, se para as matérias primas (o Brent por exemplo) pegássemos no preço médio das últimas semanas e o comparássemos com o preço médio das mesmas semanas do ano anterior, provavelmente chegariamos a uma variação bem mais próxima dos 7% do que dos 20. Alguém quer fazer as contas?
O desafio adicional que aqui lanço é o do que apurar tal como fiz ontem, o preço médio dos combustíveis no consumidor final ao longo dos primeiros 9 meses de 2007 e compará-lo com os 9 meses do ano 2006. Estes números serão (quase) directamente comparáveis com os aqui apurados ontem e poderão permitir-nos apurar se os preços das gasolineiras têm respeitado grosso modo o andamento dos preços nos mercados internacionais.
Como curiosidade, e em jeito de apresentação de um acto do grande filme, o INE, no destaque sobre o índice de preços no consumidor divulgado há minutos, informa que, por exemplo, a classe de despesa "Transportes", onde se incuem os gastos com combustíveis, teve um contributo homólogo negativo face a Agosto de 2006, ou seja, os custos com transportes estiveram em Agosto de 2007 abaixo dos havidos em Agosto do ano anterior.
Taxa de inflação desacelera em Agosto
Arquivado em: Consumo e Produtos, Dinheiros, Economia Nacional, Números Estatística
"Em Agosto, a taxa de variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor (IPC) situou-se em 2,1%, três décimas de ponto percentual abaixo do valor observado em Julho de 2007. A variação mensal foi -0,4%, três décimas de ponto percentual inferior à do período homólogo. A variação média dos últimos doze meses manteve-se nos 2,5%.
O Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) português registou uma variação de 1,9% face a Agosto do ano anterior. O IHPC apresentou uma variação mensal de -0,4%, três décimas de ponto percentual inferior à registada em Agosto de 2006. A taxa de variação média dos últimos doze meses manteve-se nos 2,5%."
in INE.
Olhando para o detalhe vemos os Transportes a juntarem-se às Comunicações nos contributos negativos para a taxa de variação homóloga.
Em Agosto os preços voltaram a descer face ao mês anterior (o que é típico nesta altura do ano) contudo, o movimento foi particularmente intenso. O Vestuário e Calçado tiveram este ano um contributo mais expressivo do que é habitual. Aparentemente os saldos foram mais baratos que no ano anterior.



