Taxa de Juro Bruto para novas subscrições dos certificados de Aforro em Março de 2007
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O backoffice do Economia & Finanças permite ir acompanhando o que é que alguns dos visitantes mais procuram por aqui. Uma das informações mais requisitada é a taxa de juro em vigor para os Certificados de Aforro. Ainda que este valor seja devidamente divulgado pelo Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP), não custa nada poupar os leitores que para aqui sejam enviados pelos motores de busca.
Em Março, o IGCP fixou a taxa de juro bruta para novas subscrições em 3,02960%.
Ou seja, uma taxa líquida de imposto de 2,42368%.
Nos próximos dias, e no seguimento da análise das pesquisas dos leitores, iniciarei um observatório (está por definir se mensal de bimensal ou mesmo se trimestral) às taxas de juro de depósitos à ordem e de depósitos a prazo, recolhidas nas páginas da Internet de diversas instituições financeiras nacionais.
Soprou da bolsa chinesa uma suave brisa arrepiante… (act.)
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"(…) A bolsa chinesa duplicou de valor no ano passado e vinha atingir máximos históricos consecutivos, tendo hoje corrigido fortemente, depois do Governo ter anunciado medidas para travar os investimentos ilegais e especulativos.(…)
Mais detalhes nesta notícia da Reuters: "Chine stocks plunge 8,8%".
Taxas de Juro na União Europeia: incerteza, incerteza, incerteza
Arquivado em: Dinheiros, Economia Internacio., Política Económica
Era com incerteza que terminava aqui um artigo em Outubro passado e foi também com um "Agarrem-me que vou subir as taxas de juro" que a novela por aqui prosseguiu… Hoje, no Jornal de Negócios, "Subida das taxas de juro divide Banco Central Europeu", as perguntinhas incómodas que aqui deixei no último trimestre do ano passado ganharam notoriedade e suporte com a manutenção da descida da inflação na Zona Euro. Hoje já é mainstream pôr em causa a manutenção de uma política de subida das taxas de juro por parte do BCE. O resultado final está para se ver, a incerteza permanece mas a premência da subida essa, inegavelmente, desapareceu.
Ir ao Forum, apreciar a Dolce Vita, escalar as Sierras… tudo no Centro Comercial Portugal
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Uma das estatística nacionais que me tem deixado sucessivamente perplexo ao longo dos últimos anos é a que apura a superfície comercial com projectos de edificação autorizados para o futuro próximo. Uma estatística aparentemente imune aos ciclos económicos…
A cada novo ano os metros quadrados adicionais mantêm-se em níveis muito expressivos contribuindo para fomentar uma ideia cada vez mais adequada de que vivemos num imenso centro comercial. Nas grandes cidades, a publicidade no espaço público e a profusão de oferta comercial são já parte da paisagem, nas médias cidades o investimento tem sido muito significativo nos últimos anos. Mas pelas últimas notícias os mega-investimentos manter-se-ão mesmo em espaços aparentemente saturados (Dolce Vita Tejo, Amorim/Jerónimo Martins, Amadora) ou bem servidos (Palácio do Gelo em Viseu da Visabeira).
Hoje, no Diário Económico, encontramos uma estatística adicional para relativizar a coisa:
" (…) Actualmente, em Portugal, a área bruta locável por mil habitantes está ligeiramente acima da média europeia dos 25 Estados membros, situando-se nos 195,2 metros quadrados, contra 181,5 metros quadrados da média da UE.
No entanto, como referem os dados da APCC, quando é tida em conta a média dos 15 países europeus mais desenvolvidos, o índice verificado em Portugal está abaixo da área comercial locável média por mil habitantes, que é de 212,9 metros quadrados. (…)"
Pela amostra, se "queremos ser desenvolvidos" ainda temos mais qualquer coisa por onde aumentar a capacidade instalada até atingirmos a média europeia, a 15. Um objectivo que, a avaliar por esta outra notícia recente da Agência Financeira – "Vêm ai 25 novos centros comerciais e mais 7 retail parks" – deve ter sucesso garantido dentro em breve.
GDP: something loosely related with output and welfare
Arquivado em: Contas Nacionais, Números Estatística
Via João Pinto e Castro e na sequência do que aqui se escreveu sobre o PIB per capita regional, chego a este artigo de John Kay ("Why data, soft or hard, cannot replace eyes and ears") publicado no Finantial Times do qual retenho o seguinte excerto onde se fala, a dada altura, do Produto Interno Bruto – sublinhados meus:
"Last week, the Conference Board announced that European labour productivity growth had overtaken that of the US. The news that growth in Europe in 2006 was 1.5 per cent against 1.4 per cent across the Atlantic was the main headline in this paper.
While the reputation of economists has been in decline, naive acceptance and popular distribution of economic statistics has grown. Figures such as these are taken at face value, as if they were established facts. Markets tremble when an announcement differs from expectations by as little as a single decimal point.
But the margin of error in such data is an order of magnitude larger than these differences. Sampled data may not accurately represent the population. But there is a larger and more subtle problem: the difficulty of translating broad economic concepts, such as national income or productivity, into something that can be measured.In all areas of human endeavour, there are hard data and soft data. Once you determine a scale for temperature, Fahrenheit or Celsius, every competent observer will arrive at the same answer. But the attractiveness of a face, the happiness of a society, the progress of a civilisation, is multi-dimensional: components of attractiveness, happiness or progress are determined by subjective consensus and are not susceptible to objective measurement.
(…) Output seems like a hard number – and would be if it were simply a matter of counting the widgets that leave a production line. But the output of a modern economy is made up of thousands of differentiated products of changing quality and composition. The US productivity miracle was in part created, not by finding new facts about the US economy, but by reclassifying software expenditure as investment and adopting aggressive assumptions about falling computer prices.
The key number used to measure economic performance is gross domestic product. But few politicians or traders could actually define it. GDP is not, exactly, a measure of either business output or consumer welfare, although it is loosely related to both. It is safest to say that GDP is the number you arrive at if you follow an internationally agreed set of statistical conventions.
So long as everyone follows these conventions, movements in GDP tell you something about national prosperity and economic progress, even if it is not entirely clear what. But no economic data, hard or soft, can ever tell the whole story. Prosperity and progress are soft concepts and official statistics are at best a supplement, not a substitute, for evidence of eyes and ears. (…)"
Saúde : Urgências de Macedo de Cavaleiros
Vou tentar trazer aqui diariamente um caso sobre a temática das urgências.
Para que se perceba, não estarei aqui sequer a discutir o actual modelo de saúde, com o qual discordo em absoluto, apenas irei demonstrar quais são as implicações do actual modelo de alteração.
Nível 1 – Urgência Polivalente (SUP)
Nível 2 – Urgência Médico Cirúrgica (SUMC)
Nível 3 – Urgência Básica (SUB)
O concelho de Macedo de Cavaleiros tem actualmente 17.117 habitantes, dos quais 4.007 tem mais de 65 anos, o que representa 23,74% da população residente. Tendo em conta a perspectiva de evolução demográfica, num cenário moderado, estima-se que em 2015, no concelho, haja perto de 26% da população com mais de 65 anos.
Actualmente, em termos de saúde, o concelho de Macedo de Cavaleiros possui:
- Um Hospital com Serviço Urgência Médico Cirúrgica (nível 2) em Macedo Cavaleiros.
- Um centro de saúde sem internamento e 11 extensões de centros de saúde espalhadas pelo Concelho, com 13 médicos e 17 enfermeiros.
- No ano de 2004, foram dadas 49.861 consultas ao nível do centro de saúde e extensões.
- O Hospital de Macedo Cavaleiros realizou, em média, 4,1 grandes ou média cirurgias por dia, tendo realizado em todo o ano 3.612 internamentos.
O que muda: é encerrado o Serviço de Urgências Médico Cirúrgica em Macedo de Cavaleiros.
Alterações de acesso a cuidados de saúde:
Serviço Urgência Básica (SUB): Actualmente em Macedo de Cavaleiros passa, com a alteração, a estar situada em Mirandela a 27 kms. O Hospital de Mirandela, que também era SUMC, passa apenas a SUB, e, no ano de 2005, teve 5.270 internados e realizou 4,4 cirurgias/dia. Estará preparado para o acréscimo?
Serviço Urgência Médico Cirúrgica (SUMC): Actualmente em Macedo de Cavaleiros, passa com a alteração a estar situada em Bragança, a 46 kms. Bragança, levará com os utentes de Macedo Cavaleiros e de Mirandela, passando o Hospital de Bragança a ter, por mero somatório, de realizar, em média, 17,7 cirurgias/dia (Macedo Cavaleiros 4,1 cirurgias/dia + Mirandela 4,4 cirurgias/dia + Bragança 9,2 cirurgias/dia), quase duplicando o número de cirurgias prestadas.
Serviço Urgência Polivalente (SUP): Sem alterações, continuando o acesso às urgências polivalentes a ser prestado pelo hospital de Vila Real que dista 87 kms de Macedo de Cavaleiros.
Abono de Família 2007: já ouviu falar no Indexante dos Apoios Sociais? (Act.)
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ADENDA: Se procura o valor do IAS para 2009 consulte nesta página.
NOTA (21 ABRIL 2009): Procura informação sobre o novo regime de parentalidade (2009)? Para informação actualizada clique aqui: O que muda com o novo regime para a parentalidade?
Com a Portaria n.º 106/2007, de 23 de Janeiro formalizou-se o novo indexante para calcular o valor do abono de família relativo a 2007.
Até então, o abono de família era determinado de acordo com a composição do agregado familiar e respectivos rendimentos brutos confrontados com uma tabela dividida em seis escalões cujas fasquias eram indexadas ao salário mínimo nacional (SMN) multiplicado pelo respectivo factor de cada escalão. A partir deste ano e à semelhança do que aconteceu, por exemplo, com a evolução das pensões, o aumento do salário mínimo deixou de ser referência para outras prestações sociais ficando assim liberto de grande parte do impacto financeiro indirecto que provocava sempre que era alterado.
Assim, foi criado o Indexante dos Apoios Sociais (IAS) que o substituirá na definição dos escalões do abono de família. A diferença fundamental é que para 2007, o IAS foi fixado em 397,86€ (ou seja, igual ao SMN de 2006 actualizado da inflação a 30 de Novembro de 2006 que foi de 3,1%), um valor que compara com os SMN de 403,00 € fixado para igual período (igual ao SMN de 2006 actualizado em cerca de 4,4%). Ou seja, será preciso um rendimento do agregado menor para subir de escalão (e receber um menor auxílio via Abono de Família) do que aquele que seria necessário caso o SMN para 2007 se mantivesse como indexante.
IAS, mais uma sigla a ter em conta para as contas de algumas famílias portuguesas.
P.S.: O SMN também é designado mais formalmente (na lei) por “retribuição mínima mensal garantida”.
INE: Síntese de Conjuntura Económica do 4º Trimestre
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Crescimento em desaceleração na recta final do ano informa o INE…
"A actividade económica no quarto trimestre desenvolveu-se a um ritmo semelhante ao do trimestre anterior. Esta indicação é extraída dos indicadores de clima e de actividade económica, se bem que na generalidade dos indicadores quantitativos sobre os principais sectores de actividade se observe alguma desaceleração no quarto trimestre.
O conjunto de informação disponível aponta ainda para que o patamar de crescimento no segundo semestre tenha sido superior ao que se verificou na primeira metade do ano de 2006. A única excepção a este comportamento continua a ser o sector de construção e obras públicas, cuja evolução se agravou entre o primeiro e o segundo semestre, embora possa ter ocorrido uma evolução menos desfavorável entre o terceiro e o quarto trimestre.
O ritmo de crescimento da actividade foi sustentado pela procura externa em termos líquidos, enquanto a procura interna deverá ter recuado face ao comportamento positivo alcançado no terceiro trimestre.
O consumo privado deverá ter desacelerado e o investimento terá voltado a evoluir de forma mais negativa. Por outro lado, o dinamismo das exportações deve ser realçado, estimando-se que o crescimento em valor das exportações tenha superado o andamento do indicador de procura externa, por uma ordem de grandeza semelhante à que se verificou no terceiro trimestre.
No lado do mercado de trabalho não se mantiveram os sinais claramente positivos evidenciados no trimestre anterior, tendo ocorrido um menor crescimento do emprego e um aumento do desemprego, a que correspondeu um agravamento da taxa de desemprego em termos homólogos, quando no terceiro trimestre já se verificara uma diminuição. A informação proveniente dos centros de emprego não contraria esta avaliação do trimestre, nem tão pouco as expectativas das empresas sobre a criação de emprego, porém para Janeiro já revela um cenário mais favorável. (…)"
Mais detalhes aqui (3 páginas) e aqui (18 páginas), no INE.
Certificados de aforro: um instrumento sob fogo cerrado
Arquivado em: Dinheiros, Instituições Financ., Política Económica
Lendo este artigo do DN (“Metade dos certificados de aforro nas mãos de ricos“) onde se documentam declarações do Ministro das Finanças segundo o qual metade do volume da carteira global dos certificados está na posse de titulares que têm mais de 100 mil euros investidos, apetece, por um lado, denunciar a demagogia e, por outro, concluir que me parece cada vez mais evidente que os certificados de aforro tal como os conhecemos desaparecerão brevemente.
Números:
No artigo, além do número já referido, indica-se que o montante total de capital investido em certificados ronda os 17 249 milhões de euros, havendo ao todo cerca de 713 mil subscritores. Informa-se ainda que há 150 mil subscritores com menos 1000€ investidos e que o investimento médio global é de 24,2 mil euros. Permitam-me juntar esta informação e fazer umas continhas grosseiras mas reveladoras. Admitindo que metade do capital total (8624 milhões de euros) está nas mãos de grandes aforradores que aí colocaram o máximo permitido (249 399€ por pessoa) conclui-se que estes grandes aforradores serão um pouco menos de 35 mil indivíduos, ou seja, menos de 5% do total de aforradores. Os restantes 678 mil terão uma carteira média de menos de 13 mil euros investidos em certificados… Se desconfiarmos (como eu) que há um número razoável de aforradores que tem nos certificados boa parte das suas poupanças de uma vida inteira…
Atendendo a estes números (ou mesmo a outros não tão extremados mas coerentes com a informação disponibilizada), a “injustiça gritante” de que se fala no artigo, citando fonte do Ministério,
“estes dados mostram que se trata de uma injustiça gritante continuar a financiar este tipo de poupança”
está longe de fazer sentido, particularmente quando serve para pôr em causa o papel de instrumento de coesão social que os certificados, na minha opinião, inegavelmente têm.
Como resolver este problema?
Parece-me que o incómodo causado pelos menos de 5% de aforradores que usam a totalidade, ou quase, do montante máximo permitido, podia ser facilmente resolvido precisamente com uma redução do limite máximo de capital investido nesta aplicação por indivíduo. Se 249 mil euros é muito, estabeleça-se um limite de 100 mil euros ou até mesmo um pouco inferior numa nova série de Certificados a lançar. Seria até uma forma simpática de limitar a emissão de certificados, em termos absolutos, sem o odioso de alterar profundamente um instrumento tão caro aos portugueses, cumprindo-se assim o objectivo desejado e sucessivamente adiado ano após ano.
Administração da Portugal Telecom: “Se a gestão actual é tão eficaz e tão capaz, nenhum accionista quererá vender à Sonae”
O João Caetano Dias, no Blasfémias, apresenta uma análise cristalina – "Ética" – à reacção da administração da PT à nova oferta da Sonae.com. Partilho com ele o desafio que deixa à Administração da PT (e aos accionistas).
"(…) Se a PT adquirisse no mercado acções próprias ao preço da cotação, a operação seria neutra. Ninguém ficava a ganhar e ninguém perderia. Acontece que a administração da PT anunciou um preço e uma quantidade. Como a cotação (que reflecte, para todos os efeitos, o valor real da empresa) está abaixo da oferta da administração, isto significa que um grupo de accionistas será beneficiado e outro será prejudicado, porque após a aquisição, a cotação das acções da PT terá que descer.
O preço oferecido funciona como uma miragem para sinalizar aos accionistas menos preparados que o actual preço oferecido é baixo e, assim, recusarem a oferta do clã Azevedo. (…)
Porque é que não deixam, simplesmente, a decisão para o mercado? Afinal, se a gestão actual é tão eficaz e tão capaz, nenhum accionista quererá vender à Sonae."


