Tentando defender Manuel Pinho
Arquivado em: Economia Internacio., Política Económica
Iniciei o dia a ouvir estas declarações de Manuel Pinho: "Manuel Pinho fala nos baixos salários portugueses como razão para investimento chinês em Portugal", na TSF. Ainda meio estremunhado atribui-as àquele misto de realidade e sonho com que passo os primeiros minutos da manhã. Confirmando a notícia, havendo já as primeiras reacções e tendo já desabafado com sarcasmo o primeiro comentário que esta notícia me provocou, tento agora defender Manuel Pinho.
Ora a China sabe bem a relevância de se ter mão-de-obra barata logo… Manuel Pinho terá pensado que… Apesar da China ter o maior contigente do mundo de mão-de-obra barata este não é facilmente… Desisto. Não encontro ponta por onde se lhe pegue. Alguém pode dar uma ajudinha?
La Caixa, BPI, BCP, PT, Sonae, Anacom, Autoridade da Concorrência, Governo…
Arquivado em: Dinheiros, Empresas, Mercados
Os personagens do título enchem as secções de economia há meses a fio sob o pretexto de OPAs. Um dia virá o anti-climax, esperemos que a tempo de nova série de privatizações, a bem da venda de jornais e, quem sabe, da bolsa de valores. Para já, se observarmos apenas a imprensa, o cenário de existir economia fora deste contexto aproxima-se do irreal.
Pela minha parte, como não se tem lido por aqui, não há muita paciência para comentar cada detalhe. Aos que ainda sobra alguma, recomendo atenção para mais um episódio: OPA ao BPI: Banco de Portugal vai fazer conferência de imprensa sobre decisão de supervisão. Adivinham-se explicações a propósito de acusações de lesa pátria que se ouvem por aí. Em suma, a novela continua, digna dos melhores exemplos (televisivos) latino americanos.
Corrupção: o exemplo Espanhol
Arquivado em: Dinheiros, Política Económica
Que economia, que mercado, que Estado resiste à exposição persistente, continuada e provavelmente crescente da corrupção?
"Um pequeno dado para o debate sobre o combate à corrupção em Portugal: as autoridades policiais espanholas recuperaram em 2006 cerca de três mil milhões de euros no âmbito da luta contra a corrupção e o crime organizado.
O balanço foi divulgado ontem pelo El País e os dados, para lá da soma de dinheiro, são impressionantes. Foram detidas 589 pessoas, entre as quais mais de cem ligadas à administração pública, as operações policiais aumentaram 30 por cento e o número de presos à volta de 17 por cento. A lista dos bens confiscados é interminável: centenas de casas, 300 quintas, 24 lojas, 686 automóveis (a maior parte de luxo), 15 barcos, um helicóptero, armas de fogo, 390 obras de arte, milhares de quilos de drogas, 34 quilos de ouro, centenas de pedras preciosas, cavalos e touros de raças valiosas… (…)"
Eduardo Dâmaso no Editorial de hoje do Diário de Notícias. A ler, na íntegra.
Recessão de 2003 aferida pelo PIB não foi tão intensa quanto havia sido antecipado
Arquivado em: Contas Nacionais, Economia Nacional, Números Estatística
"No quadro da elaboração de Contas Nacionais em base 2000, o INE disponibiliza os dados definitivos referentes 2003, substituindo a informação provisória, e agregada, divulgada em Março de 2006. Os dados agora divulgados decorrem do tratamento de informação de base mais completa e abrangente, apresentando tambémum maior nível de detalhe. As contas nacionais definitivas de 2003 estão disponíveis no site do INE (aqui).
Produto Interno Bruto (PIB) português foi 138 582 milhões de Euros em 2003, a que correspondeu um crescimento nominal de 2,3%, uma variação negativa em volume de -0,8% e um deflator de 3,2%. Estes valores apresentam um desempenho menos desfavorável face aos resultados provisórios anteriormente estimados (respectivamente 1,5%, -1,2% e 2,8%).
Como se pode observar no Quadro 1 [ver destaque], para a revisão em alta do valor nominal do PIB e da respectiva taxa de variação, contribuíram o crescimento mais dinâmico do que o anteriormente estimado da Despesa de Consumo Final das Administrações Públicas (3,6% face aos anteriores 1,8%), o desempenho menos desfavorável da Formação Bruta de Capital (-7,2% face à estimativa anterior de -8,2%), apesar do contributo negativo da variação de existências, e o crescimento das Exportações de 2,4%, que compara com a estimativa anterior de 1,8%.(…)"
Mais detalhes no destaque do INE.
National Statistics Online (act.)
Se admitirmos que inveja pode não implicar retirar aos outros mas antes ter também, então invejo claramente a qualidade da página do National Statistics Office da Grã-Bretanha. Não só o volume de informação é assombroso (com informação cronológica para várias décadas) como a navegação pelo site é praticamente irrepreensível para utilizadores com níveis diferentes de conhecimento de estatística e com os mais variados interesses e necessidades.
O dilema da Banca nacional
Arquivado em: Empresas, Instituições Financ.
Ainda da imprensa recomenda-se vivamente um muito lúcido artigo de opinião ontem publicado no Jornal de Negócios da autoria de Pedro Dionísio. Ficam dois excertos que não dispensam a leitura integral deste assunto que, convenhamos, é muito cá de casa.
"(…) Os Bancos enfrentam face aos seus clientes particulares e aos seus quadros de retalho uma grave contradição:
- ?por um lado, existe um discurso politicamente correcto de conselho ao cliente, todo ele suportado pela teoria de marketing relacional;
- ?por outro, existe a necessidade de uma prática agressiva de venda de "produtos" que, frequentemente, ignora o diagnóstico das necessidades dos clientes – a base da venda verdadeiramente consultiva.
Sob o ponto de vista de gestão de "marketing", os bancos ainda estão na "era da produção/venda" e não na do ‘marketing’ direccionado para os clientes.
Subjacente a esta situação, está um modelo de negócio, em que "as fábricas" (leia-se as sedes) "constroem" produtos e "ditam" objectivos que as lojas (leia-se as agências) têm de vender, já que uma parte importante da remuneração dos quadros comerciais no retalho assenta no cumprimento de objectivos. (…)
Se compararmos esta situação com a do retalho não integrado, por exemplo, na área alimentar ou informática, constatamos que, neste caso, as fábricas procuram que os canais de distribuição comprem os seus produtos tentando, para além disso, desenvolver estratégias "pull" que levem o cliente ao ponto de venda pedir o seu produto. Nestas áreas de actividade, a loja está interessada em vender os produtos que o mercado procura e qualquer gestor de loja tem objectivos globais, e não de marca (exceptuando a marca própria), e, muito menos, de produto. (…)"
Alterações no processo produtivo da Galp
Outra forma de uma empresa aumentar os seus lucros é alterar inteligentemente o processo produtivo. Parece que é isso que a Galp se prepara para fazer, segundo noticia o Jornal de Negócios.
"A Galp Energia anunciou hoje que aprovou um conjunto de investimentos no seu aparelho refinador, que ascendem a um total de 1,42 mil milhões de euros. A empresa vai aumentar a produção de gasóleo em 2,5 milhões de toneladas e aumentar as margens de refinação em três dólares por barril. As acções estão a reagir em alta. (…) "
Síntese da Execução Orçamental do Subsector Estado, Janeiro a Dezembro de 2006
Arquivado em: Dinheiros, Economia Nacional, Números Estatística
Acabou de ser divulgada pela Direcção Geral do Orçamento (DGO) a Síntese de Execução Orçamental do Subsector Estado para o ano completo de 2006.
Assim que houver disponibilidade tentarei destacar os principais factos (e eventualmente acrescentar algum comentário). Para já fica a dica para quem quiser satisfazer a curiosidade em primeira mão.
Adenda: o falta de tempo disponível não permitiu cumprir com a promessa. Tentarei quando encerrarem as restantes contas que faltam (para se apurar o défice orçamental) abordar o assunto.
Novas funcionalidades do Economia & Finanças
Desde o início desta semana estão disponíveis dois serviços adicionais para os leitores da nossa página.
Um deles é o Feedburner que oferece duas opções: um leitor de RSS adicional e ainda a possibilidade de receber uma vez por dia os textos que eventualmente tenham sido publicados no Economia & Finanças. Ambos ficarão acessíveis na barra lateral direita.
O outro serviço é a pesquisa por palavra no Diário da República (Série I e II) dos últimos anos que estará presente em permanência na ligação publicada no cabeçalho.
Para onde vai mesmo o dinheiro dos combustíveis? (aumentado)
Pegando um pouco mais a fundo na matéria que está a ser discutida aqui em baixo, não queria deixar passar a oportunidade de esclarecer algumas barbaridades referidas no artigo do Eduardo Moura.
Vou ser bem explícito. Os dados sobre os PVP (Preços de Venda ao Público) são da DGE, bem como a taxa de ISP por litro de gasolina sem chumbo 95 (pois esta ainda é a mais vendida em Portugal). Atente-se que a taxa de IVA em Janeiro de 2005 era 19%, mas em Julho de 2006 já era 21%.
O preço do barril de crude pode facilmente ser retirado da Internet e a taxa de câmbio euro/dólar é a publicada pelo Banco de Portugal. Os dados relativos a Janeiro de 2007, sendo um mês ainda não terminado, referem-se à média dos dias disponíveis.
Os resultados são os seguintes:
Ou seja, entre Janeiro de 2005 e Janeiro de 2007, os preços da gasolina IO95 aumentaram 28,8%, devido a um aumento de 18,2% nos impostos e de 51,3% no restante, que inclui o preço da matéria-prima e a margem de refinação.
Naturalmente que a fatia de leão vai para o Estado em impostos, tal como no caso do imposto sobre o tabaco, mas reduzir a responsabilidade do aumento dos combustíveis (relativamente ao preço da matéria-prima) aos impostos, é tremendamente redutor e falacioso.
Cenário bem diferente este, não? E mais não digo.
Editado: quadro substituído por um outro mais detalhado e mais informativo.




